Há uma mudança do perfil do consumidor financeiro e um contexto macroeconómico e geopolítico global que continua a exigir capacidade de adaptação, fazendo com que a banca assuma, cada vez mais, um papel que ultrapassa o de simples intermediação financeira, Country Senior Partner da PwC, Ricardo Santos.
O quadro da consultora internacional, que intervinha nesta quarta-feira, 27, em Luanda, na IV Angola Banking Conference, afirmou que o sector bancário é e continuará a ser um dos principais motores de desenvolvimento económico e de inclusão social no País.
“Vivemos um tempo particularmente exigente, mas também particularmente estimulante para a banca em Angola. Um tempo em que se cruzam várias forças transformacionais: por um lado, a aceleração tecnológica com destaque para a inteligência artificial; por outro, a evolução do quadro regulatório nacional e internacional”, salientou.
Ricardo Santos observou que, quando se olha para os indicadores agregados do sector, expressos em Kwanzas, encontram-se “sinais claramente positivos”, como rácios de solvabilidade robustos, crescimento dos ativos e resultados favoráveis.
Para o Country Senior Partner da PwC, está-se, “sem dúvida”, diante de um sinal de “resiliência e de boa gestão prudencial” que importa reconhecer e valorizar: “No entanto, quando fazemos uma leitura ajustada à inflação, o quadro convida-nos a uma reflexão complementar. Em termos reais, o activo agregado tem vindo a contrair-se e os resultados lidos em termos de poder de compra nem sempre acompanham aquilo que os números nominais sugerem”.
Refere que este quadro ilustra que o País tem uma banca “bem capitalizada”, mas cuja capacidade real de financiar a economia “merece a atenção colectiva”, pelo que importa “debater como mobilizar a solvabilidade que existe para apoiar de forma crescente as empresas, os empreendedores e as famílias angolanas”.
A par deste tema, observou Ricardo Santos, há um conjunto de outros desafios e oportunidades que marcarão certamente os próximos anos, sendo o primeiro ‘como transformar o capital que existe nos balanços em financiamento à economia’. Recordou que a banca angolana tem capital e liquidez, e que importa reforçar as condições de informação, de confiança e de instrumentos que permitam que esse capital chegue a um preço corretamente ajustado ao risco, às empresas que o devem fazer trabalhar.
“O segundo é a redefinição do consumidor bancário. O cliente de hoje não é o mesmo de há cinco anos: é mais jovem, mais digital, mais exigente e, em larga medida, não vê a banca tradicional como o seu primeiro destino financeiro”, sustentou o Country Senior Partner da PwC.
E o terceiro, espelhou Ricardo Santos, é a pressão simultânea da regulação e da tecnologia: “A nova regulamentação nacional e internacional traz exigências significativas em matéria de governação, compliance, prevenção de branqueamento de capitais, gestão de risco e reporte”.
A IV Angola Banking Conference, que decorre em Luanda, é uma iniciativa da revista Economia & Mercado e que conta com a parceria da PwC.


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