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Angola regressa aos mercados com emissão de 2,5 mil milhões USD em eurobonds

Adnardo Barros
27/3/2026
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Foto:
DR

José de Lima Massano classificou a operação como "histórica", destacando que se trata de uma das maiores emissões realizadas num único dia por países da África subsaariana.

Angola captou 2,5 mil milhões USD nos mercados internacionais, numa emissão de eurobonds estruturada em duas tranches com prazos de sete e 11 anos. A operação, que decorreu na terça-feira, registou uma procura avaliada em 5,2 mil milhões USD, mais do dobro do montante inicialmente previsto.

O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, destacou, no final da reunião do Conselho de Ministros, que se trata da primeira emissão de dívida soberana por um país emergente após a escalada do conflito no Médio Oriente. "Tratou-se de uma emissão importante por vários motivos, mas desde logo, o facto de ter sido a primeira emissão ocorrida, por países emergentes, depois do conflito eclodir no Médio Oriente", afirmou o governante.

A emissão foi concretizada em duas tranches, uma de 1,5 mil milhões USD com taxa de juro de 9,375% e maturidade a sete anos, e outra de mil milhões USD com taxa de 9,875% e prazo de 11 anos. José Massano sublinhou que foi possível baixar os custos face a emissões anteriores. "Angola é dos poucos países que depois do conflito consegue taxas de juros mais baixas do que aquelas que tinha anteriormente, pré-conflito."

A procura superou a oferta, permitindo ao Executivo aumentar o montante captado face aos dois mil milhões inicialmente projectados. Segundo o ministro, "fomos aos mercados tentando mobilizar dois mil milhões de dólares e o que tivemos de procura situou-se em cerca de 5,2 mil milhões USD, fazendo com que ficássemos no final com 2,5 mil milhões USD".

Os investidores participantes centraram-se no Reino Unido e nos Estados Unidos, tendo sido neste último mercado que Angola conseguiu mobilizar a maior fatia dos recursos.

José de Lima Massano classificou a operação como "histórica", destacando que se trata de uma das maiores emissões realizadas num único dia entre os países da África subsaariana, apenas superada pela África do Sul e pela Nigéria. "Revela também um sinal forte de confiança desses operadores, investidores internacionais, que têm em relação ao andamento da nossa economia", acrescentou.