Angola está entre os principais países de origem dos trabalhadores recrutados para a construção em Portugal ao abrigo da ‘Via Verde’ para imigração laboral, mecanismo criado pelo Governo português para acelerar a contratação de mão-de-obra estrangeira e responder à escassez de profissionais no sector.
Ao Expresso, o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), Manuel Reis Campos, explica que, a menos de um mês de completar um ano, o programa regista um aumento da procura.
Nos últimos três vezes, duplicou o número de processos submetidos para contratação, assim como os pedidos de vistos para trabalhadores estrangeiros. A estes, acrescenta Manuel Campos, juntam-se os pedidos submetidos que se encontram em preparação e que são o triplo em relação a Novembro.
Até 3 de Março deste ano, o CPCI tinha encaminhado 211 processos de pedidos de visto para a Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas. A maioria corresponde a pedidos colectivos e envolve cerca de 1.427 trabalhadores, estando ainda em preparação mais 259 processos de imigrantes.
Sem citar números, avança que grande parte destes trabalhadores provém de países africanos de língua portuguesa, com destaque para Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e Moçambique. E há também recrutamento na América Latina, nomeadamente no Brasil, Colômbia e Peru, e noutros países como Marrocos, Senegal, Paquistão e Índia.
Entre as empresas que já recorreram ao mecanismo, estão algumas das maiores construtoras portuguesas como a Mota-Engil, a Casais e a DST.
O ‘Via Verde’, canal privilegiado para a contratação de trabalhadores estrangeiros, foi criado pelo Governo português a 1 de Abril de 2025, depois do fim das manifestações de interesse e do encerramento dos vistos para procura de trabalho, excepção feita aos profissionais altamente qualificados.
O objectivo foi permitir que empresas pudessem recrutar trabalhadores directamente nos países de origem, com mediação das confederações empresariais.
O reforço do recrutamento internacional surge num momento particularmente exigente para o sector da construção em Portugal, que enfrenta falta de profissionais. Estima-se que são necessários cerca de 80 mil trabalhadores.
Actualmente, cerca de 35% da mão-de-obra é composta por trabalhadores estrangeiros. A pressão aumentou com a necessidade de reconstrução de zonas do centro do país afectadas pela tempestade ‘Kristin’.
A estas necessidades juntam-se outros grandes projectos em curso, como obras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), investimentos do Portugal 2030, o novo aeroporto e o projecto de alta velocidade ferroviária.

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