Os 21 bancos do sistema financeiro nacional emprestaram ao Estado, sob a forma de subscrição de títulos de dívida pública, 8,2 biliões Kz em 2025, o que representa um crescimento homólogo de 26,15% face aos 6,5 biliões Kz aplicados em 2024, apurou a E&M segundo o estudo "Banca em Análise" da Deloitte.
Em apenas doze meses, os bancos canalizaram mais 1,7 biliões de kwanzas para o Tesouro. Com este reforço, o peso dos títulos públicos na carteira de Títulos e Valores Mobiliários subiu de 86% para 88%, confirmando a crescente concentração do sistema no risco soberano.
A Deloitte sublinha que esta concentração "revela a natureza conservadora do sistema financeiro nacional", que privilegia activos com menor risco de crédito e rentabilidade atractiva, em detrimento do crédito à economia real.
O peso dos Títulos e Valores Mobiliários nos activos da banca atingiu 35%, mais 3 pontos percentuais que em 2024, o que, segundo a consultora, "pode limitar o papel de intermediação financeira ao sector produtivo e aumentar a sensibilidade dos balanços a desenvolvimentos nas condições fiscais e de financiamento do Estado".
Enquanto os bancos canalizaram 8,2 biliões para o Estado, o crédito líquido concedido a empresas e particulares ficou-se pelos 7,08 biliões em 2025, com um crescimento de 23,3% face a 2024. A diferença de 1,12 biliões a favor do Tesouro evidencia a clara preferência dos bancos pelo risco soberano em detrimento do financiamento à economia real.
O Banco Nacional de Angola tem alertado para os riscos desta concentração excessiva e recomenda uma maior diversificação dos activos. A autoridade monetária incentiva os bancos a canalizar mais recursos para o crédito produtivo, sob pena de se comprometer a estabilidade financeira a médio prazo.















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