O Banco Keve diz ter programas de apoio à economia real em Angola, tendo fechado Dezembro do ano passado com cerca de 50% do seu activo em crédito, informou o administrador Executivo da instituição bancária, Sérgio Gama.
“Temos acompanhado muito bem os nossos parceiros nesse período muito mais difícil, principalmente aqueles que estão muito directamente ligados ao Estado. O Estado, durante algum tempo, registou alguns atrasos nos pagamentos e, obviamente, nós, bancos, tínhamos de ter esta responsabilidade e essa obrigação [de apoio]”, assinalou.
Painelista na IV Angola Banking Conference que debateu, nesta quarta-feira, 27, na capital do País, ‘Futuro da Banca em Angola: Resiliência, Inovação e Sustentabilidade do Negócio’, Sérgio Gama afirmou que o Banco Keve “aposta fortemente no crédito”, apesar de alguns condicionalismos.
“Temos algumas inovações, alguma forma de fazer o negócio do ponto de vista de crédito ou apoio às empresas, mas também temos alguma limitação regulamentar. Temos estado a falar com o BNA sobre como é que podemos enquadrar essa exposição ao risco e, de forma reduzida, com impacto no nosso rácio de fundos próprios”, reportou.
Temos algumas inovações, alguma forma de fazer o negócio do ponto de vista de crédito ou apoio às empresas, mas também temos alguma limitação regulamentar
Detalhou que o Banco Keve está “muito mais focado” nas empresas. Observou que a instituição bancária tem tido algum cuidado na concessão do crédito devido a algumas especificidades ligadas também à elegibilidade.
Sérgio Gama especificou que o banco tem um modelo de crédito, por exemplo, para o sector Agro, que acautela o facto de nem todas as fazendas, nem todos os pequenos agricultores estarem em condições de cumprir, na íntegra, com os critérios de elegibilidade.
No evento de iniciativa da revista E&M em parceria com a PWC, o administrador Executivo do Banco Keve reiterou que a instituição faz acompanhamento técnico aos beneficiários destes créditos, desde o processo do cultivo até à extracção das suas culturas.
“Garantimos que, depois, esse crédito é absorvido pelos off-takers, os compradores, as grandes indústrias, e que, depois, nos paguem a nós, obviamente, ficando com o diferencial. Ou seja, o banco tem que estar um bocado mais dentro da operação, fazendo uma espécie de banca de investimento, (...) de trabalho de cooperativas, isso para debelar essas fragilidades”, salientou.


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