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“Hoje é a agricultura que está a ditar o ritmo” da economia angolana - José de Lima Massano

Victória Maviluka
26/5/2026
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Foto:
Isidoro Suka

Governante destaca os progressos na produção de carnes, com a bovina a registar uma redução na importação de cerca de 50%, e a carne de frango a triplicar a produção.

O Executivo angolano destaca que há uma alteração na estrutura das contribuições para o Produto Interno Bruto (PIB), com a agricultura a pesar já cerca de 25%, acima do petróleo (15%), números que, segundo José de Lima Massano, ministro do Estado para a Coordenação Económica, demonstram que, “hoje, é a agricultura que está a ditar o ritmo” da economia nacional.

“A nível externo, quando se refere o que somos de economia, primeiro vem o petróleo. O que estamos a dizer é que já não é assim”, afirmou o governante, sublinhando, entretanto, a importância de se continuar a  investir no sector estratégico do petróleo, responsável por cerca de 95% dos recursos cambiais para o mercado angolano.

José de Lima Massano destacou, em declarações à imprensa angolana, os progressos na produção interna de carnes, com a bovina a registar uma redução na importação no último ano de cerca de 50%; e a carne de frango a triplicar a produção, saindo de 20 mil toneladas/ano para 60 mil. 

“O mesmo está a acontecer com a carne suína: vamos chegar até o final deste ano com uma necessidade de importação bastante reduzida, quase exígua. Portanto, o País está a transformar-se, a agricultura está a assumir um papel de liderança nesse processo”, declarou.

Referiu que a indústria transformadora está igualmente a acompanhar esta dinâmica, com uma taxa de crescimento de 16% ao ano, o que, na sua óptica, “tem que ter um impacto a nível do PIB”. Massano precisou que a indústria alimentar, com um crescimento nos dois dígitos, representa quase metade da indústria transformadora do País.

O progresso da indústria transformadora, observou o homem que comanda toda a política económica angolana, tem permitido realizar o exercício de substituição de importações, e fazer com que o que se produz no campo tenha espaço para transformação e processamento localmente.

“Quando falamos e batemos muito no tema da segurança alimentar, dizemos que ela não é isolada: temos infra-estruturas que o País está a colocar à disposição dos empreendedores e que temos que aproveitar”, apelou o ministro do Estado para a Coordenação Económica.

Realçou que existem outros sectores que estão a posicionar-se para se transformar em importante contribuinte para a riqueza nacional, como é o caso do turismo, para quem “está a ganhar também o seu dinamismo”, e vai “roubar espaço a alguém” na composição do Produto Interno Bruto. 

“Na logística, terão também de ser investimentos relevantes, que vão impactar na estrutura. Continuamos a fazer investimentos nos recursos minerais, petróleo, habitação. Estamos a desenvolver as nossas políticas para termos a economia mais diversificada, com vários sectores a contribuir (...), uma economia verdadeiramente consolidada, integrada, moderna e capaz de continuar a gerar bem-estar”, perspectivou.