IFC Markets Live Quotes
Powered by
3
1
PATROCINADO

“Investir não termina na compra de uma acção”, alerta o economista Daniel Sapateiro

Redacção
13/10/2026
1
2
Foto:
DR e Cedidas

Entrada do Standard Bank Angola reforça a dinâmica do mercado de capitais e coloca a literacia financeira, a liquidez e os custos de investimento no centro do debate.

A entrada do Standard Bank Angola na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) marca uma nova etapa do mercado de capitais. A operação atraiu milhares de investidores e reforçou o interesse pelas acções. Mas, para o economista Daniel Sapateiro, o crescimento da bolsa exige mais do que compradores; exige investidores capazes de compreender os riscos, calcular os custos e, sobretudo, saber quando e em que condições podem vender.

A estreia do banco, a 30 de Setembro, resultou na admissão da 7.ª empresa ao mercado accionista da BODIVA e na entrada de 6.215 novos accionistas. A oferta pública de venda movimentou 208,5 mil milhões de Kwanzas e registou uma procura 81,96% superior à quantidade disponibilizada. 

O movimento surge na sequência de uma expansão do mercado que passou a reunir empresas como o Banco Angolano de Investimentos (BAI), o Banco Caixa Geral Angola (BCGA), a ENSA, o Banco de Fomento Angola (BFA), a UNITEL e, agora, o Standard Bank Angola. A entrada destas sociedades amplia as possibilidades de investimento, mas também aumenta a necessidade de informação e educação financeira. 

Para Daniel Sapateiro, presidente do Colégio de Especialidade das Finanças da Ordem dos Economistas de Angola, a primeira compra não deve ser encarada como o fim do processo. “Investir não termina na compra de uma acção”, alerta o economista.

A advertência ganha importância num mercado em que muitos participantes podem estar a investir pela primeira vez. O preço de compra é apenas uma parte da equação. Comissões de intermediação, liquidação, custódia e impostos podem reduzir o ganho efectivo, observa. 

Uma carteira que passe de 500 mil para 600 mil kwanzas, por exemplo, regista uma valorização de 100 mil kwanzas. Mas o lucro, segundo Sapateiro, só se concretiza quando os títulos são vendidos, descontados os encargos aplicáveis.

É na saída que surge um dos desafios menos compreendidos pelos investidores iniciantes: a liquidez. Uma acção cotada não significa que exista sempre um comprador disponível ao preço pretendido, aponta.

Elucida que se um accionista quiser vender por 60 mil kwanzas um título para o qual a procura se situa nos 58 mil, terá de decidir se aceita o preço disponível ou mantém a ordem à espera de melhores condições. Pode também não encontrar compradores para toda a quantidade que pretende vender.

“Antes de comprar, o investidor deve pensar também na saída”, defende Daniel Sapateiro. A questão, sublinha, não é apenas quanto se pode ganhar, mas também se haverá mercado suficiente para vender quando for necessário.

A fiscalidade e os custos de transacção completam a análise. Para o economista, o cálculo da rentabilidade deve partir do valor da venda, subtrair o custo de aquisição e os encargos associados, considerando ainda os impostos aplicáveis. A valorização apresentada pela cotação não equivale, necessariamente, ao dinheiro que chega à conta do investidor.

A nova dinâmica da BODIVA coloca, assim, um desafio que ultrapassa o aumento do número de empresas cotadas, assinala, referindo que o mercado precisa de atrair capital, mas também de reforçar a transparência, a informação disponível e a capacidade dos investidores para interpretar os movimentos das acções.

A experiência das empresas cotadas pode ajudar a transformar a educação financeira em aprendizagem prática. A divulgação de resultados, riscos e estratégias empresariais permite acompanhar o desempenho dos emitentes. Já a informação sobre ordens de compra e venda, salienta, ajuda a compreender como se formam os preços e por que razão uma cotação não garante uma transacção imediata.

A mensagem de Daniel Sapateiro é clara: a entrada na bolsa deve ser acompanhada de conhecimento sobre informação, custos, risco, liquidez e fiscalidade: “A primeira compra pode representar a entrada de um cidadão no mercado de capitais. A primeira venda, por sua vez, mostra se compreendeu verdadeiramente como esse mercado funciona”.

Realça que, com a chegada de novos accionistas, o desafio da BODIVA passa por converter o interesse inicial em participação informada e sustentável. Porque, para o economista, uma bolsa mais dinâmica não depende apenas de quem compra, mas também da confiança de quem precisa de vender.