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Moçambique defende competitividade e harmonização dos corredores logísticos da SADC

Hermenegildo Langa
5/11/2026
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Foto:
DR

Para o empresariado, a competitividade de um corredor não se mede apenas pela capacidade do seu porto, mas pelo custo, tempo e previsibilidade com que a mercadoria chega ao destino.

Moçambique apela à harmonização e modernização de sistemas logísticos da região austral com vista a torná-los competitivos no contexto da integração económica regional. A posição foi defendida pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique – CTA, na abertura do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026), evento que junta dirigentes do sectores dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).  

Intervindo nesta  quarta-feira  na abertura do evento, o vice-presidente da CTA, Onório Boane defendeu maior eficiência operacional, integração transfronteiriça e investimento em infra-estruturas e serviços logísticos com vista a tornar os corredores logísticos nacionais competitivos a nível da região austral. Na visão de Boane, Moçambique reúne condições para consolidar a sua posição como uma das principais portas de entrada comercial da África austral, “mas esse objectivo depende da melhoria da eficiência operacional, da integração regional e da redução dos custos associados ao comércio”.

“A competitividade de um corredor não se mede apenas pela capacidade do seu porto, mas pelo custo, tempo e previsibilidade com que a mercadoria chega ao destino final. Uma ferrovia com capacidade disponível não resolve o problema se faltar equipamento do outro lado da fronteira”, afirmou o responsável, referindo que os estrangulamentos nas fronteiras, a demora nos procedimentos aduaneiros e as limitações na articulação reduzem a competitividade dos corredores logísticos de Moçambique.

O vice-presidente da CTA destacou que a eficiência dos portos depende igualmente da redução dos tempos de permanência das mercadorias nos terminais e da agilização dos procedimentos aduaneiros. “A capacidade dos portos nacionais e a localização geográfica estratégica do País não são suficientes para consolidar Moçambique como porta de entrada comercial da África Austral. É necessário reduzir tempos de trânsito das mercadorias, aumentar a capacidade ferroviária e eliminar os pontos de congestionamento nas fronteiras.”

Na mesma ocasião, Boane referiu que a diferença entre a capacidade actual das infra-estruturas logísticas e o seu potencial de utilização representa oportunidades de investimento, “mas exige intervenções coordenadas nos corredores de Maputo, Beira e Nacala, sobretudo na ligação aos mercados do hinterland”.

Para a CTA, há necessidade de haver uma integração efectiva dos três principais corredores logísticos nacionais, através do reforço das ligações ferroviárias, rodoviárias e fronteiriças, bem como o desenvolvimento de portos secos, terminais interiores, infra-estruturas de armazenagem, cadeias de frio e plataformas de distribuição.

No seu discurso, Onório Boane defendeu igualmente a simplificação dos procedimentos fronteiriços, a digitalização dos serviços através de uma Janela Única Logística e o aproveitamento da cabotagem como alternativa complementar ao transporte rodoviário.

O empresariado moçambicano defendeu ainda o aproveitamento da cabotagem marítima como alternativa complementar ao transporte rodoviário e uma maior integração das empresas nacionais nas cadeias de fornecimento, manutenção, engenharia, tecnologia e prestação de serviços.

“Temos de converter corredores e portos em verdadeiros motores de industrialização das nossas nações. Já não é admissível que estas infra-estruturas sirvam apenas de passagem de matérias-primas e entrada de bens manufacturados do exterior”, acrescentou.

Harmonização de sistemas logísticos

Na ocasião, o Chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo, defendeu a harmonização e modernização de sistemas logísticos para permitir a flexibilidade do comércio entre os países da África austral. Para Chapo, a integração regional depende de procedimentos mais harmonizados e de sistemas logísticos mais eficientes, bem como da eliminação de constrangimentos ao comércio.

“Devemos acelerar a modernização e a harmonização dos procedimentos, a modernização das nossas fronteiras, a integração dos sistemas digitais e a eliminação dos constrangimentos que dificultam o comércio entre os nossos países. Por isso, o desenvolvimento dos transportes e da logística deve ser acompanhado pela modernização tecnológica e pela integração regional para criar mais oportunidades para empresas e cidadãos”, afirmou.

Chapo defendeu ainda a criação de um sistema de transportes e logística mais integrado, no qual os portos, caminhos-de-ferro, estradas, aeroportos e postos fronteiriços funcionem de forma articulada, tanto a nível nacional como no espaço regional da SADC.

“Aos investidores nacionais e estrangeiros, reafirmamos o nosso compromisso, como Governo da República de Moçambique, de continuar a melhorar o ambiente de negócios e a promover condições de confiança, previsibilidade, segurança, incluindo a segurança jurídica”, assegurou.