11 mulheres participaram de uma formação técnica de dança, em Luanda, que se construiu como um território de escuta, do corpo, da imagem e do tempo, e resultou numa performance que chegou ao Camões – Centro Cultural Português, no dia 1 de Abril, tendo deixado ainda aberta, até o dia 8 último, uma exposição multimédia que apresentava os vários momentos da acção formativa.
O projecto, de nome ‘Bakento na Muvema – Mulheres em Movimento’, desafiou as participantes, em diálogo com a dança, a pensarem o movimento para além da fisicalidade, explorando-o como linguagem visual e dispositivo narrativo. Afirmou-se como um espaço de experimentação artística onde dança e cinema se cruzam para dar lugar a novas formas de expressão e autoria.
Gesto deixou de ser apenas execução e passou a configurar-se possibilidade de discurso, que faz o corpo emergir como arquivo de memórias, tensões e processos de transformação que falam o passado, presente e o futuro.

Sob direcção e coordenação de Débora Makiese, curadoria e formação em Audiovisual de Nark Luenzi, formação em Dança e Direcção de Performance de Sita Dinis e assistência de produção de Yolanda Viviana, as coreografias foram construídas numa abordagem ao pocket film, introduzindo o telemóvel como ferramenta criativa e crítica.
“Longe da sua função utilitária”, o dispositivo foi ressignificado como extensão do olhar, permitindo captar dimensões que frequentemente escapam à palavra. A construção de moodboards, ou painel de humor, uma colagem visual que reúne imagens, cores, texturas e referências para definir o estilo e a atmosfera de um projecto, por sua vez, funcionou como etapa fundamental de imaginação e organização estética, reunindo referências e intenções que antecipam o gesto de filmar.
Segundo as mentoras do projecto, partindo da provocação “Quando o corpo move, o que faz a alma?”, o processo formativo conduziu Antónia Micolo, Armina Ernesto, Cleide Guimarães, Domingas Txifutchi, Eunice Cabanda, Even de Fátima, Hortência Gomes, Luzia Quental, Marina Bernardo, Marlene Neto e Sofia Lucas por exercícios filmados de deslocamento entre o interior e a expressão externa.
Os documentários resultantes deste percurso não se limitam a representar a dança, atesta a organização. “São atravessados por experiências íntimas, por memórias inscritas no corpo e por silêncios que ganham forma na imagem. Cada filme configura-se como tentativa de traduzir o invisível, aquilo que acontece internamente quando o corpo decide mover-se”.


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