Tiago Pires, director de instalações e equipamentos do Hospital de S. José, de Portugal, defende esta sexta-feira, em Luanda, que a transformação dos sistemas de saúde deve colocar o paciente no centro, alertando que o avanço tecnológico só faz sentido quando acompanhado de empatia e capacidade de resposta humana.
Falando sobre tendências globais, durante a I Conferência E&M sobre saúde, dedicada à modernização da rede hospitalar e melhoria dos serviços, Tiago Pires sublinha que a inovação tecnológica, com destaque para a inteligência artificial, telemedicina e a monitorização remota de pacientes, está a redefinir os cuidados de saúde, mas adverte que o excesso de dados exige capacidade de análise e decisão.
“Não interessa ter muitos dados se não fizermos nada com eles”, afirma, apontando a gestão e análise avançada de informação como áreas críticas em crescimento. Ao mesmo tempo, destaca a crescente literacia em saúde, com cidadãos mais informados e exigentes.
Apesar dos avanços tecnológicos observados em países europeus, o responsável alerta para lacunas ao nível da humanização dos cuidados, referindo que sistemas altamente desenvolvidos podem perder a componente de proximidade com o doente. Nesse sentido, defende que a modernização deve ser equilibrada, integrando tecnologia e empatia.
No caso angolano, Tiago Pires considera fundamental apostar no capital humano, identificando a escassez de profissionais como um dos principais entraves ao desenvolvimento do sector. Refere que Angola conta com cerca de 0,3 médicos por mil habitantes, muito abaixo da média internacional, bem como um número reduzido de enfermeiros, o que reforça a necessidade de formação, retenção de talentos e criação de condições de trabalho adequadas.
O especialista destaca ainda a importância da integração de cuidados de saúde, apontando o modelo português das Unidades Locais de Saúde como exemplo a adaptar, e não copiar, à realidade angolana.
Conforme o responsável, este modelo permite alinhar cuidados primários e hospitalares sob uma gestão única, simplificando o acesso e garantindo maior coerência no tratamento dos utentes.
Entre os desafios identificados para Angola estão a baixa digitalização, a insuficiência de profissionais e a necessidade de liderança orientada para a mudança. Para Tiago Pires, a aposta deve recair na formação de quadros nacionais, complementada por parcerias internacionais, garantindo que o conhecimento adquirido seja aplicado no país.
Além disso, o especialista defende uma mudança de paradigma, centrada na gestão da saúde e não apenas no tratamento da doença, com foco na prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo, sobretudo numa população jovem e em crescimento.

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