A contratação de colaboradores com competências é uma das principais preocupações dos CEOs (Chief Executive Officers) da banca em Angola, afirmou Tito Tavares, partner da PwC, durante a participação na IV edição da “Angola Banking Conference”, realizada em Luanda, numa co-organização da Revista Economia & Mercado e da consultora PwC.
Tito Tavares justificou a afirmação com base num estudo da PwC de 2024. “Formar colaboradores com as competências certas é cada vez mais crítico. Eles não vêm com a devida preparação da faculdade, as instituições têm de criar programas massivos de formação”, referiu.
A formação dos quadros bancários em áreas como dados, inteligência artificial e cibersegurança, continuou o partner da PwC, é assegurada pelos bancos através da criação de academias internas e parcerias com universidades.
“Alguns bancos criaram as próprias universidades. Tem sido verdadeiramente transformador para o sector bancário em Angola, porque vai resultar em melhor talento dentro de três, quatro ou cinco anos”, afirmou o prelector da conferência, cujo tema foi “O Futuro da Banca em Angola: Resiliência, Inovação e Sustentabilidade do Negócio”.
Relativamente à solvabilidade e ao risco bancário, Tito Tavares destacou que os principais desafios para as instituições em Angola são os riscos cibernéticos e a volatilidade macro-económica.
O partner da PwC também sublinhou a disrupção tecnológica e a necessidade de competências adequadas para a implementação de soluções como cloud computing, inteligência artificial e outras tecnologias.
Tito Tavares aconselhou ainda os bancos a reforçarem os departamentos de tecnologias de informação e comunicação, uma vez que grande parte da transformação tecnológica do sector depende de prestadores de serviços externos.
“Num estudo recente da PwC, entre 80% e 90% da inovação nas organizações é fomentada ou alcançada com o apoio de prestadores externos. É importante que os bancos integrem estas entidades no perímetro de segurança para reduzir riscos cibernéticos associados”, afirmou.
O partner da PwC abordou igualmente a questão do crescimento e financiamento do sector bancário, apontando o aumento da bancarização como uma das principais soluções.
“O atalho para aumentar a taxa de bancarização passa por criar um sistema de pagamentos móveis mais simples e acessível à população”, disse Tito Tavares.
Segundo dados referidos na conferência, a taxa de bancarização em Angola é actualmente de quase 36%. Comparando com outras geografias semelhantes, o especialista defendeu que os pagamentos móveis podem ser a via mais rápida para acelerar este processo.


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