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Stock da dívida pública titulada regista crescimento homólogo de 29% em Junho

Fernando Baxi
17/7/2026
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Foto:
DR

Crescimento do stock da dívida pública titulada levanta questões quanto à sustentabilidade das finanças públicas, pois pode traduzir-se num aumento dos encargos com juros.

O stock da dívida pública titulada aumentou quase 29% em Junho de 2026 face ao mesmo mês de 2025, ao passar de 14,3 para 18,5 biliões de Kwanzas, apurou a Revista Economia & Mercado (E&M) com base na informação divulgada pelo Banco Nacional de Angola (BNA).

Aproximadamente 93% (17,14 biliões Kz) do total do stock da dívida pública titulada no período em análise é referente às obrigações do tesouro (OT), ao passo que 7% (1,31 bilião Kz) representa o peso dos bilhetes do tesouro (BT).

Quanto à evolução desagregada dos respectivos indicadores, de acordo com os cálculos da E&M, o stock de OT registou um crescimento homólogo de aproximadamente 36% no sexto mês do presente ano económico.

Em sentido contrário, como se pôde apurar com base nos dados do BNA, houve uma redução homóloga de quase 23% do stock de BT em Junho.

O aumento de quase de 20% do stock da dívida pública no período supracitado demonstra que o Estado recorreu de forma mais intensa ao mercado interno para satisfazer as necessidades de financiamento.

Como se pode observar, o crescimento foi impulsionado sobretudo pelas OT, cujo o stock aumentou perto de 36%, indicando maior preferência do Estado por instrumentos de endividamento de longo e médio prazo.

A respectiva opção de financiamento, sugerem os dados, pode reflectir uma estratégia de gestão da dívida orientada para alongar os prazos de reembolsos, o que reduz a necessidade de refinanciamentos frequentes.

Em contrapartida, a redução de quase 23% do stock dos BT indica menor dependência de instrumentos de curto prazo, tendendo a diminuir o risco de liquidez e a pressão sobre o tesouro de período de maturidade reduzida.

O crescimento do stock da dívida pública titulada levanta questões quanto à sustentabilidade das finanças públicas, pois pode traduzir-se num aumento dos encargos com juros, o que limita a margem orçamental para financiar os sectores da saúde, educação e infra-estruturas, tidas áreas prioritárias.

Assim, o impacto (efectivo) dependerá da evolução das receitas fiscais, do crescimento económico e do custo de financiamento da dívida.