Com uma população a rondar os 35 milhões de habitantes, Angola conta com uma taxa de bancarização que se situa aproximadamente nos 35%, representando um crescimento médio de 12% ao ano, informou o PCA da Empresa Interbancária de Serviços (EMIS), José Gualberto de Matos.
Ao proferir, nesta segunda-feira, 27, em Luanda, as palavras de boas-vindas aos participantes da Conferência Executiva, realizado em alusão aos 25 anos da EMIS, José Gualberto de Matos referiu que, quando a instituição iniciou “a transformação” dos sistemas de pagamentos em Angola, a taxa de bancarização de situava-se nos 5% a 7%, com uma população de pouco mais de 14 milhões de habitantes.
Estes números, referiu o Presidente do Conselho de Administração da entidade gestora da rede Multicaixa em Angola, indicam que o sistema financeiro angolano, o sistema bancário em particular, “cresceu muito” nestes 25 anos, apesar de admitir que o sistema financeiro no País não é ainda totalmente inclusivo.
“[O sistema financeiro] só cobre 1/3 da população adulta. A nossa taxa de inclusão financeira também está nos 50%. Em países como o nosso, países com uma bancarização reduzida ou baixa, a inclusão financeira não foi feita da mesma maneira que foi feita nos países desenvolvidos. Em Angola também não é possível acelerar a inclusão financeira recorrendo apenas à bancarização clássica. Isto levaria muito tempo, talvez 20 ou 30 anos”, observou.
Neste quadro, salientou o PCA da EMIS, no ano passado, o Governo, reconhecendo a importância da inclusão financeira, estabeleceu a primeira Estratégia Nacional de Inclusão Financeira de 2025-2027, que tem por base o alargamento da oferta, assente em novos prestadores de serviço, fazendo com que a inclusão financeira não fique apenas dependente dos bancos, mas também do contributo dessas instituições financeiras não-bancárias.
“É nesse quadro que a EMIS tem um papel relevante como operador de infra-estrutura do mercado financeiro, que garante a interoperabilidade (...). Mas de pouco serve termos uma infra-estrutura de mercado financeiro melhor do mundo se não conseguirmos fazer a inclusão financeira”, declarou José Gualberto de Matos.
Lembrou que os desafios do futuro sobre o sistema financeiro no País são diferentes dos do passado: “Os desafios do passado eram essencialmente complicados. Os desafios do futuro têm uma natureza diferente, são complexos. E as estratégias que usamos para resolver os desafios complicados, talvez não se adequem aos desafios que são complexos”.















