Vivemos rodeados de sons. A audição é o sentido do corpo humano que nos permite interpretar o ambiente e estar em segurança num mundo que exige um estado de alerta constante, mesmo quando outros sentidos, como a visão ou o olfato, nos falham. Além disso, relaciona-se directamente com o sistema vestibular, responsável pela percepção dos movimentos da cabeça, pela estabilização do olhar e pelo equilíbrio do corpo.
Os problemas de audição são um desafio em crescimento para a saúde pública, que afecta mais do que simplesmente a capacidade de escuta de cada indivíduo. Ouvir é essencial para a interacção social, para a comunicação e para o desenvolvimento cognitivo, da fala e da linguagem. De forma discreta, desempenha um papel fulcral no bem-estar diário e na saúde no seu todo.
Surgem ainda outros perigos invisíveis associados à perda da audição, que não passam despercebidos a quem enfrenta este problema. Muitos sofrem em silêncio por terem dificuldade em compreender o que outros dizem, ausentando-se progressivamente de eventos sociais e familiares devido à frustração que sentem. Nesse sentido, a privação auditiva pode levar a sentimentos de solidão, isolamento e, consequentemente, depressão, pondo em risco o bem-estar geral dos indivíduos afectados e das respectivas famílias.
A saúde auditiva, embora seja, muitas vezes, desvalorizada, é um dos pilares do bem-estar global humano. Os problemas graves podem surgir gradualmente e os seus sintomas, que podem ser prevenidos através da protecção do sistema auditivo, não devem ser descuidados. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 5% da população sofre de algum grau de perda auditiva e prevê-se que essa percentagem continue a aumentar. Importa destacar também que cerca de 80% das pessoas que compõem essa estatística vivem em países de baixo ou médio rendimento e não têm acesso a cuidados de saúde básicos. Assim, é urgente um maior investimento nesta área, para tornar os cuidados de saúde auditiva acessíveis a todos.
O Dia Mundial da Saúde (7 de Abril) é um lembrete anual da importância da educação e sensibilização da comunidade para questões de saúde pública. Este ano, celebra-se o poder da colaboração científica para cuidar das pessoas, dos animais, das plantas e do planeta, de acordo com o conceito ‘One Health’, que consiste numa abordagem colaborativa entre várias áreas, considerando a influência do ecossistema e de diferentes espécies na saúde pública.
O futuro da saúde depende da ciência. Nas últimas décadas têm surgido cada vez mais tratamentos inovadores e técnicas para corrigir problemas associados à perda de audição, mas a chave está na prevenção. Através de campanhas de rastreio e de acções de sensibilização e educação para a importância da saúde auditiva, baseadas no conhecimento científico, torna-se possível identificar patologias numa fase mais inicial. De facto, uma abordagem preventiva diminui os riscos e aumenta a possibilidade de detecção precoce de problemas como danos e bloqueios nas estruturas que conduzem o som para o ouvido interno, ou nas células responsáveis pela transmissão de sinais sonoros para o cérebro. A intervenção clínica adequada pode minimizar o impacto negativo deste tipo de problemas na qualidade de vida do indivíduo.
Como exposto, trata-se de muito mais do que simplesmente não ouvir. É uma questão que afecta o nosso bem-estar global, envolvendo saúde mental, auto-estima, segurança e percepção ambiental. Os problemas auditivos são um custo a evitar, mas a saúde do ouvido começa com o investimento preventivo em cuidados de saúde especializados regulares.


%20-%20BAI%20Site%20Agosto%20%20(1).png)






.jpeg)





