O défice de infra-estruturas e a instabilidade regulatória em África fazem com que menos de 10% dos projectos mineiros passem da fase de viabilidade, retendo no subsolo um quarto das reservas mundiais de minerais críticos indispensáveis para a transição energética e digital, alerta um relatório da consultora McKinsey.
Este bloqueio ocorre numa altura em que a procura global por minerais estratégicos deverá crescer, em média, 4,5% ao ano até 2035. Este crescimento é impulsionado pelos fortes investimentos públicos e privados em infra-estruturas de inteligência artificial, veículos eléctricos, energias renováveis e manufactura avançada.
As crescentes tensões geopolíticas e o imperativo de segurança nas cadeias de abastecimento forçam as potências industriais a diversificar as fontes, colocando o continente no centro do tabuleiro estratégico global.
África atrai apenas 1,2 mil milhões USD anuais em despesas de exploração, o que representa metade do valor captado pela Austrália ou pelo Canadá. Trata-se de uma assimetria profunda, considerando que a extensão territorial africana supera a da China, Europa e Estados Unidos. O investimento disponível tem-se concentrado num pequeno grupo de grandes activos com escala suficiente para absorver os elevados riscos operacionais e políticos, o que deixa por explorar inúmeros depósitos comercialmente atractivos devido a problemas crónicos de electricidade, burocracia e redes ferroviárias obsoletas.
A Inteligência Artificial como o novo trunfo para a produtividade
A McKinsey defende que a adopção da IA pode mitigar estes problemas históricos do sector mineiro no continente. A aplicação de algoritmos na exploração geológica permite aumentar a precisão e a taxa de sucesso das sondagens, reduzindo o capital desperdiçado.
De igual modo, a introdução de sistemas de mineração inteligentes, frotas automatizadas e modelos de manutenção preventiva tem o potencial de reduzir drasticamente os custos operacionais e optimizar o desempenho dos activos.
A consultora estima que a integração generalizada da IA generativa possa acrescentar entre 5,3 mil milhões e 8,5 mil milhões USD em valor económico directo à indústria mineira africana. Numa altura em que o sector procura encurtar os prazos de execução (time-to-market) e maximizar o retorno do capital investido, a tecnologia assume-se como uma ferramenta indispensável para posicionar o continente na vanguarda da cadeia de valor global.












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