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África possui um sector primário “extremamente atrasado” por falta de políticas

Victória Maviluka
16/6/2026
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Foto:
DR

Economista africano destaca que o que aconteceu com Vietname na produção de café foi a implementação de políticas de incentivo e transformação estrutural, que não é adoptada em África.

O ex-secretário-geral adjunto da ONU e professor na Mandela School of Public Governance da Universidade de Cape Town, Carlos Lopes, disse que África possui um setor primário “extremamente atrasado, com níveis de produtividade que são os mais baixos do mundo”. E associou este quadro às políticas que são adoptadas pelos Governos africanos.

Carlos Lopes, que falava nesta segunda-feira, 15, em Luanda, no espaço de reflexão ‘Pensar Globla’, referiu que várias indicações mostram que esse é um problema que não é necessariamente intrínseco às características da África e que tem mais a ver com as políticas adoptadas pelos Estados africanos. 

“E é um exemplo talvez mais chocante: um país como o Vietname, há 15 anos atrás, não produzia café, e 15 anos depois produz mais café que toda a África. Portanto, não é necessariamente que havia uma tradição de produção de café. O café é originário da África”, desabafou o orador do evento organizado pela revista Economia & Mercado.

Considerou que o que aconteceu com o país asiático foi a implementação de políticas de incentivo e transformação estrutural, que não é adoptada em África com a mesma forma, clareza e estratégia. Para o economista, esta e outras características mostram que não há qualidade no crescimento dos países africanos.

Professor Carlos Lopes foi o principal rosto da edição de estreia do espaço de reflexão sobre África e o Mundo ‘Pensar Global’

O principal rosto da edição de estreia do ‘Pensar Global’ observou que, apesar de ser o continente menos desenvolvido, África é um exportador de capital: “Quando se faz o cômputo, todo o capital que entra, das várias formas, e todo o que sai, somos um exportador nato de capital. Como é possível explicar isto? Por causa das regras e das condições que prevalecem no sistema internacional”. 

No fórum que contou com a parceria do Centro de Estudos de Ciências Jurídico-Económicas e Sociais (CEJES) da Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto e a Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX), Carlos Lopes afirmou que a transformação estrutural se faz através da capacidade de concentrar cada vez mais as actividades naquilo que é mais produtivo. 

Sugeriu políticas que levem, estrategicamente, à mudança dos sectores menos produtivos para sectores mais produtivos: “O facto de que 60% da população africana depender das actividades do sector primário, nomeadamente agricultura, pescas, etc…. se não houver produtividade nesse sector, dizemos que a maioria da população não está a ser objecto de transformação das suas vidas. É isso que está a acontecer”.