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Água: O “Ouro Azul” que Moldará a Prosperidade na Era Pós-Fóssil

Alberto Biamonti - Mitrelli, Director-Geral para Angola
21/3/2026
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Foto:
Cedida pela fonte e DR

Dia Mundial da Água: 22 de Março.

No Dia Mundial da Água, somos convidados a olhar para este recurso sob uma nova perspectiva. O tema de 2026 “Água e Género: Onde a água flui, a igualdade cresce”, coloca no centro do debate uma dimensão muitas vezes invisível: a ligação directa entre o acesso à água, a igualdade de género e o desenvolvimento económico.

Esta abordagem é particularmente relevante num mundo que atravessa profundas transformações energéticas e económicas. Se o petróleo marcou o desenvolvimento económico do século XX, hoje a água afirma-se, cada vez mais, como um dos ativos estratégicos mais valiosos do século XXI e verdadeiro “ouro azul” da era pós-fóssil: um recurso cuja optimização poderá definir os novos centros de prosperidade global.

Tradicionalmente, a discussão global sobre a água tem-se centrado na escassez, na poluição e nos impactos das alterações climáticas. Estas adversidades são reais e urgentes. No entanto, existe uma vertente frequentemente subestimada: a água não é apenas um recurso em risco. Mais do que um elemento essencial à vida, é a base de quase todas as cadeias de valor da economia moderna: sustenta a agricultura, viabiliza processos industriais, suporta a produção energética e influencia directamente a estabilidade social e económica das nações.

Neste novo paradigma, África ocupa uma posição particularmente relevante. O continente dispõe de vastos recursos hídricos e um significativo potencial hidroeléctrico, factores que podem transformar a água num motor essencial de crescimento e competitividade económica. Ao mesmo tempo, milhões de pessoas continuam a enfrentar desafios no acesso à água potável e saneamento. Este paradoxo revela não apenas uma lacuna estrutural, mas também uma oportunidade para acelerar o desenvolvimento sustentável através de investimentos inteligentes e modelos eficientes de operação e implementação dos sistemas hídricos.

Em Angola, país historicamente dependente da economia petrolífera, encontra-se hoje na gestão estratégica da água um caminho fundamental para a diversificação económica e para a construção de um modelo de crescimento mais resiliente. Com um potencial hidroeléctrico estimado em cerca de 18 GW, aliado a importantes bacias hidrográficas, Angola reúne condições únicas para transformar a água num verdadeiro instrumento de política económica e desenvolvimento social.

É precisamente aqui que o tema “Água e Género” ganha a sua expressão mais concreta.

Em muitas regiões do mundo, e particularmente em África, as mulheres continuam a ser as principais responsáveis pela recolha da água. Segundo dados das Nações Unidas, em 53 países com informação disponível, mulheres e raparigas dedicam cerca de 250 milhões de horas por dia a esta tarefa, mais de três vezes o tempo gasto por homens e rapazes.

Diversos estudos demonstram que economias com maior participação feminina registam níveis mais elevados de produtividade, crescimento e desenvolvimento social. Em África, onde as mulheres representam uma parte significativa da força de trabalho, particularmente na agricultura e no sector informal, o seu contributo é determinante, portanto, garantir acesso sustentável à água torna-se então uma estratégia directa de promoção da igualdade e de aceleração do desenvolvimento económico.

É neste contexto que empresas como a Mitrelli têm vindo a desempenhar um papel relevante no abastecimento de água, através do desenvolvimento de soluções integradas que combinam infra-estrutura, tecnologia e capacitação local. Mais do que construir sistemas, trata-se de desenvolver soluções escaláveis que tornam a gestão da água mais eficiente e preparada para o futuro.

Entre estas abordagens destacam-se a digitalização e monitorização inteligente, com recurso à análise de dados e inteligência artificial, permitindo prever falhas e reduzir perdas. A promoção da economia circular da água, através da reutilização e valorização de recursos hídricos, reforça igualmente a sustentabilidade. Paralelamente, o desenvolvimento de infra-estruturas tem permitido expandir significativamente o acesso à água em diferentes regiões do país, criando as bases para expandir a agricultura, impulsionar a industrialização, reforçar a segurança alimentar, melhorar os indicadores de saúde pública e atrair novos investimentos.

Projectos como o PROÁGUA representam um passo significativo na modernização dos sistemas de produção e distribuição de água, beneficiando milhões de cidadãos. Ao mesmo tempo, iniciativas como o Água para Todos demonstram como o acesso à água potável pode transformar profundamente o quotidiano das comunidades.

Quando a água chega, as comunidades transformam-se: dinamiza-se a economia local, criam-se oportunidades e liberta-se tempo. Tempo este que passa a ser investido na educação, no empreendedorismo e na participação económica das populações, especialmente das mulheres.

Mas escalar este impacto e garantir a sua durabilidade exige mais do que infra-estruturas. Exige visão estratégica e, sobretudo, a capacidade de mobilizar recursos e unir diferentes actores em torno de um objectivo comum.

Neste sentido, a mobilização de investimento, aliada ao acesso à tecnologia e à transferência de conhecimento, assume um papel crítico na transformação do potencial hídrico em resultados concretos. Estes são, aliás, pilares centrais do modelo de actuação da Mitrelli, que assenta na criação de soluções integradas, adaptadas às necessidades específicas de cada localidade.

Para países como Angola, a capacidade de atrair investimento directo estrangeiro, aceder a financiamento multilateral e estruturar parcerias público-privadas eficazes será determinante para acelerar a implementação de projectos hídricos de grande escala.

Ao investir de forma consistente em infra-estruturas, inovação tecnológica e modelos de gestão viáveis, Angola posiciona a água não apenas como um recurso essencial, mas como um ativo estratégico capaz de reforçar a competitividade económica, impulsionar cadeias de valor e integrar o país nas dinâmicas regionais e globais de desenvolvimento.

É neste enquadramento que o compromisso da Mitrelli se destaca, ao materializar uma abordagem integrada que combina inovação, conhecimento técnico e execução no terreno para responder de forma eficaz às exigências do sector hídrico.

O Dia Mundial da Água convida-nos, assim, não apenas à reflexão, mas à acção. Num cenário de transição energética e perante o imenso potencial do continente africano, a gestão inteligente da água afirma-se como uma responsabilidade partilhada entre governos, empresas e sociedade.

Mais do que reconhecer o valor da água, é tempo de a colocar no centro das decisões que moldam o futuro, com ambição, compromisso e sentido de urgência. Porque garantir o acesso à água não é apenas responder a uma necessidade básica; é desbloquear potencial, criar oportunidades e lançar as bases para um desenvolvimento verdadeiramente inclusivo.

Porque, na nova era que se desenha, onde a água flui, não cresce apenas a igualdade: constrói-se, de forma consciente e intencional, o futuro das nações.

Water: The “Blue Gold”Shaping Prosperity in the Post-Fossil Era

On World Water Day, we are invited to look at this resource from a new perspective. The 2026 theme, “Water and Gender: Where Water Flows, Equality Grows,” brings to the forefront of the debate a dimension that is often overlooked: the direct link between access to water, gender equality, and economic development.

This approach is particularly relevant in a world undergoing profound energy and economic transformations. While oil shaped the economic development of the 20th century, today water is increasingly establishing itself as one of the most valuable strategic assets of the 21st century and the true “blue gold” of the post-fossil fuel era: a resource whose optimal use could define the new centers of global prosperity.

Traditionally, the global discussion on water has focused on scarcity, pollution, and the impacts of climate change. These challenges are real and urgent. However, there is an aspect that is often underestimated: water is not merely a resource at risk. More than just an essential element of life, it is the foundation of nearly all value chains in the modern economy: it sustains agriculture, enables industrial processes, supports energy production, and directly influences the social and economic stability of nations.

In this new paradigm, Africa occupies a particularly significant position. The continent possesses vast water resources and significant hydroelectric potential, factors that can transform water into an essential driver of growth and economic competitiveness. At the same time, millions of people continue to face challenges in accessing safe drinking water and sanitation. This paradox reveals not only a structural gap but also an opportunity to accelerate sustainable development through smart investments and efficient models for the operation and implementation of water systems.

In Angola, a country historically dependent on the oil economy, strategic water management now represents a key pathway to economic diversification and the development of a more resilient growth model. With an estimated hydroelectric potential of approximately 18 GW, combined with significant river basins, Angola possesses unique conditions to transform water into a true instrument of economic policy and social development.

It is precisely here that the theme “Water and Gender” takes on its most concrete meaning.

In many regions of the world, and particularly in Africa, women continue to bear the primary responsibility for water collection. According to United Nations data, in 53 countries with available information, women and girls devote approximately 250 million hours per day to this task, more than three times the time spent by men and boys.

Several studies show that economies with higher female participation achieve higher levels of productivity, growth, and social development. In Africa, where women represent a significant share of the workforce, particularly in agriculture and the informal sector, their contribution is decisive. Therefore, ensuring sustainable access to water becomes a direct strategy for promoting equality and accelerating economic development.

In this context, companies such as Mitrelli have been playing a relevant role in water supply through the development of integrated solutions that combine infrastructure, technology, and local capacity building. More than just building systems, the goal is to develop scalable solutions that make water management more efficient and future-ready.

Among these approaches, digitalization and smart monitoring stand out, leveraging data analytics and artificial intelligence to predict failures and reduce losses. The promotion of a circular water economy, through reuse and resource valorization, further strengthens sustainability. At the same time, infrastructure development has significantly expanded access to water across different regions of the country, creating the foundation to expand agriculture, drive industrialization, strengthen food security, improve public health indicators, and attract new investments.

Projects like PROÁGUA represent a significant step toward modernizing water production and distribution systems, benefiting millions of citizens. At the same time, initiatives like Water for All demonstrate how access to safe drinking water can profoundly transform the daily lives of communities.

When water arrives, communities are transformed: the local economy is revitalized, opportunities are created, and time is freed up. This time is then invested in education, entrepreneurship, and the economic participation of the population, especially women.

However, scaling this impact and ensuring its sustainability requires more than infrastructure. It demands strategic vision and, above all, the ability to mobilize resources and bring together different stakeholders around a common goal.

In this regard, investment mobilization, combined with access to technology and knowledge transfer, plays a critical role in transforming water potential into tangible outcomes. These are, in fact, core pillars of Mitrelli’s operating model, which is based on creating integrated solutions tailored to the specific needs of each location.

For countries like Angola, the ability to attract foreign direct investment, access multilateral financing, and structure effective public-private partnerships will be key to accelerating the implementation of large-scale water projects.

By consistently investing in infrastructure, technological innovation, and viable management models, Angola positions water not only as an essential resource but as a strategic asset capable of strengthening economic competitiveness, driving value chains, and integrating the country into regional and global development dynamics.

It is within this context that Mitrelli’s commitment stands out, as it brings to life an integrated approach that combines innovation, technical expertise, and on-the-ground execution to effectively meet the demands of the water sector.

World Water Day thus invites us not only to reflect, but to act. In a context of energy transition and considering the immense potential of the African continent, smart water management emerges as a shared responsibility among governments, companies, and society.

More than recognizing the value of water, it is time to place it at the center of the decisions that shape the future, with ambition, commitment, and a sense of urgency. Because ensuring access to water is not merely about addressing a basic need; it is about unlocking potential, creating opportunities, and laying the foundations for truly inclusive development.

Because in the emerging new era, where water flows, not only does equality grow, there, consciously and intentionally, the future of nations is built.