O Governo e parceiros brasileiros formalizaram, nesta terça-feira, em Luanda, uma aliança para aumentar a produção de grãos nas áreas agrícolas das províncias do Cuanza-Norte, Uíge e Malanje, com o objectivo estratégico de reforçar a segurança alimentar.
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado para as Florestas, João da Cunha, no final de uma reunião de alto nível com o ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro.
A iniciativa, coordenada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, visa iniciar produção efectiva ainda este ano, com foco imediato no milho, soja, massambala e massango.
Para além das três províncias prioritárias, João da Cunha referiu a disponibilidade de terras no Moxico Leste, Cuando Cubango, Lunda-Norte e Lunda-Sul, onde a fronteira agrícola poderá ser alargada. Adicionalmente, grupos empresariais brasileiros já manifestaram interesse em investir na produção de cana-de-açúcar para açúcar e etanol, criando sinergias com a pecuária bovina.
Carlos Fávaro considerou o encontro “um passo importante” entre os dois países no domínio da produção de alimentos, no qual foi feita a apresentação formal da proposta sobre os investimentos e transferência de tecnologias elaborada por produtores e empresários, auxiliados pelo Governo brasileiro, com vista a tornar Angola num dos maiores fornecedores de alimentos à escala mundial.
O governante brasileiro exteriorizou a sua satisfação pelos resultados da cooperação bilateral, ao sublinhar “o grande potencial” dos solos angolanos, numa altura em que estão identificadas as áreas em que, em breve, Angola vai começar a produzir alimentos suficientes para atingir a auto-suficiência e se tornar um “player” relevante no comércio internacional, à semelhança do Brasil.
O ministro brasileiro recordou que a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agro-pecuária (Embrapa), que se tornou a maior empresa de pesquisa agro-pecuária tropical do mundo, foi um passo importante, razão pela qual já existem quatro grandes grupos brasileiros que identificaram áreas e oportunidades nas mais diversas áreas de actuação em Angola.
“Trouxemos uma proposta estruturante do arranjo financeiro para financiar esses investimento, o Brasil está disposto a fazer os investimentos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), o Banco do Brasil, através da sua linha de crédito de financiamento e custeio à exportação, também já está estruturado”, informou.
O projecto contempla a construção de armazéns, irrigação, investimentos em rodovias, ferrovias e outras infra-estruturas essenciais, mas há também necessidade de investimentos, dentro das propriedades, em termos de armazenamento de grãos, irrigação, além de equipamentos e máquinas, porque o Brasil tem a tecnologia desenvolvida e está disposto a financiar para que estas máquinas e equipamentos venham a ser instaladas e funcionar em Angola.

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