Angola registou redução de 77% na mortalidade de crianças abaixo dos cinco anos desde 1990, atingindo os níveis mais baixos das últimas três décadas, embora permaneça entre os 20 países com piores indicadores a nível mundial, segundo um relatório das Nações Unidas.
Intitulado “Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil 2025”, o estudo, produzido pelo Grupo Interagências das Nações Unidas para a Estimativa da Mortalidade Infantil (UNIGME), que integra o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Banco Mundial (BM), indica que em Angola a cada mil crianças que nasciam em 1990, quase 213 morriam antes de completarem os cinco anos. No ano de 2024, o número para 49 mil para cada mil nado-vivos. Uma redução média anual estimada em 4,3%.
Em termos absolutos, o número de mortes de crianças com menos de cinco anos diminuiu de cerca de 117 mil, em 1990, para 67 mil, em 2024.
Consultado pela E&M, o documento destaca também progressos na mortalidade neonatal (mortes até aos 28 dias de vida), que passou de 46 para 18 óbitos por mil nados-vivos no mesmo período, o valor mais baixo registado no País.
Apesar da melhoria dos indicadores, Angola mantém-se entre os contextos de maior risco, com constrangimentos no acesso e na qualidade dos serviços de saúde, sobretudo nos cuidados primários e materno-infantis.
Entre os nove países lusófonos, Angola ocupa actualmente a quarta pior posição na mortalidade de crianças abaixo dos cinco anos, sendo ultrapassada pela Guiné Equatorial, Guiné-Bissau e Moçambique. No extremo oposto, Portugal apresenta os melhores indicadores, seguido por Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
No caso da mortalidade neonatal, Angola está entre os cinco melhores da lusofonia, sendo apenas superada por Portugal, São Tomé e Príncipe, Brasil e Cabo Verde.
4,9 milhões de crianças morreram antes dos cinco anos
A nível global, o relatório aponta para um abrandamento no ritmo de redução da mortalidade infantil. Em 2024, morreram cerca de 4,9 milhões de crianças com menos de cinco anos, das quais 2,3 milhões eram recém-nascidos.
O documento sublinha que a maioria destas mortes poderia ser evitada com intervenções simples e de baixo custo, bem como com maior acesso a cuidados de saúde de qualidade.
Destaca ainda que a mortalidade neonatal representa quase metade das mortes nesta faixa etária, evidenciando progressos mais lentos na prevenção de óbitos no período perinatal.
As principais causas incluem complicações associadas ao parto prematuro, dificuldades durante o trabalho de parto, infecções neonatais e malformações congénitas. Após o primeiro mês de vida, doenças como malária, diarreia e pneumonia continuam a ser determinantes, sobretudo na África Subsaariana.
De acordo com a OMS, a África Subsaariana concentra cerca de 58% das mortes globais de menores de cinco anos, reflectindo desigualdades persistentes no acesso a cuidados de saúde e maior exposição a doenças infecciosas.
O relatório alerta ainda para o impacto da malnutrição, estimando que cerca de 100 mil crianças com idades entre um e 59 meses morreram em 2024 devido a malnutrição aguda grave, com efeitos indiretos que agravam a vulnerabilidade a outras doenças.
A ONU recomenda que governos e parceiros reforcem o investimento em sistemas de saúde primários, com foco na prevenção, vacinação e nutrição, sublinhando que o investimento na sobrevivência infantil gera benefícios sociais e económicos significativos.

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