Menos de 3 200 novos licenciados no País concluíram formações nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) no ano lectivo 2022/23, o equivalente a 11% do universo de 29 302 graduados, apurou a E&M com base nos dados do mais recente Anuário Estatístico do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI).
As fortes concentrações dos licenciados encontram-se nas áreas sociais, empresariais e jurídicas que absorvem mais de 30% dos graduados e expõe o desfasamento entre as universidades e as prioridades económicas do País.
O sistema de ensino superior continua a produzir quadros na direcção oposta às necessidades de industrialização e transição digital do país. O desequilíbrio acentua a escassez de mão de obra qualificada nos sectores com maior potencial de alavancagem do crescimento produtivo.
O diagnóstico ganha contornos mais críticos no domínio da transição digital. A área de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) colocou no mercado apenas 162 licenciados (0,55%). Num momento em que a banca, as telecomunicações e a administração pública aceleram a modernização de processos, a oferta local de especialistas em dados, cibersegurança e programação é praticamente nula.
Nas Engenharias, o cenário é idêntico com 3 107 diplomados (10,6%), a escassez de quadros técnicos condiciona a atracção de Investimento Directo Estrangeiro (IDE) e a diversificação económica.
Em sentido inverso, as universidades continuam a sobrecarregar o mercado com cursos de menor exigência em infra-estrutura. A área de Negócios, Administração e Direito responde por 30,8%. Isoladamente, o curso de Direito gerou 2.958 licenciados (10,1%), uma produção que rivaliza com o somatório de quase todas as engenharias.
Esta assimetria encontra explicação no modelo de financiamento do sector. O ensino privado assegura 61,7% dos licenciados e prioriza cursos de baixos custos de operação (sem necessidade de laboratórios complexos) e de rápida absorção financeira.
O resultado desta factura económica é duplo, por um lado, as empresas industriais e tecnológicas continuam dependentes da importação de mão de obra expatriada; por outro, milhares de licenciados em Gestão e Direito enfrentam a desvalorização salarial e o subemprego num mercado saturado.















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