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“As estatísticas africanas não têm qualidade. Pecam por serem subestimativas” - Carlos Lopes

Victória Maviluka
15/6/2026
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Foto:
Carlos Aguiar

Ter as contas nacionais em dia, diz o economista, é ter as contas mais ou menos com 1,2 anos de atraso e utilizar a metodologia segundo critérios da Comissão Estatística Internacional da ONU.

No universo dos 54 países africanos, existem apenas 17 Estados no continente que têm as suas contas nacionais em dia, um quadro que, segundo o economista Carlos Lopes, espelha que as estatísticas africanas “não têm qualidade”.

Ter as contas nacionais em dia, explicou o principal orador da edição inaugural do espaço ‘Pensar Global’, é ter as contas mais ou menos com um a dois anos de atraso e utilizar a metodologia mais próxima daquelas que foram aprovadas pela Comissão Estatística Internacional das Nações Unidas. 

No evento que se realiza nesta quinta-feira, 15, em Luanda, de iniciativa da Edicenter Publicações, o ex-secretário-geral adjunto das Nações Unidas especificou que uma das características metodológicas mais importantes é utilizar um ano de comparação para fazer as contas nacionais.

“Se esse ano de comparação vai para além de cinco anos, considera-se que as estatísticas não têm muita relevância em termos de qualidade. E quando digo que apenas 17 países africanos têm as estatísticas, as suas contas nacionais em dia, significa que apenas estes 17 obedecem a estas características e exigências metodológicas. Então, muitos dizem que se as estatísticas não são de confiança, significa, então, que, se calhar, isto tudo é um bluff. Não, não é um bluff”, disse.

O professor na Mandela School of Public Governance da Universidade de Cape Town observou que países com importância económica significativa no continente, como o Egipto, como o Quénia, como a Etiópia, como a Nigéria, fezeram o exercício de actualização das suas contas nacionais durante os últimos sete anos e descobriram que há, normalmente, uma subestimação do PIB que pode ir entre 20% a 30%.

“Então, imaginemos o resto dos países que ainda não fizeram a sua atualização e que não estão em dia terem, comparativamente, uma subestimação dessa ordem de grandeza. Não temos a certeza, mas segundo os dados dos meus pesquisadores, estamos a falar como uma subestimação na ordem dos 21%”, afirmou Carlos Lopes.