No universo dos 54 países africanos, existem apenas 17 Estados no continente que têm as suas contas nacionais em dia, um quadro que, segundo o economista Carlos Lopes, espelha que as estatísticas africanas “não têm qualidade”.
Ter as contas nacionais em dia, explicou o principal orador da edição inaugural do espaço ‘Pensar Global’, é ter as contas mais ou menos com um a dois anos de atraso e utilizar a metodologia mais próxima daquelas que foram aprovadas pela Comissão Estatística Internacional das Nações Unidas.
No evento que se realiza nesta quinta-feira, 15, em Luanda, de iniciativa da Edicenter Publicações, o ex-secretário-geral adjunto das Nações Unidas especificou que uma das características metodológicas mais importantes é utilizar um ano de comparação para fazer as contas nacionais.
“Se esse ano de comparação vai para além de cinco anos, considera-se que as estatísticas não têm muita relevância em termos de qualidade. E quando digo que apenas 17 países africanos têm as estatísticas, as suas contas nacionais em dia, significa que apenas estes 17 obedecem a estas características e exigências metodológicas. Então, muitos dizem que se as estatísticas não são de confiança, significa, então, que, se calhar, isto tudo é um bluff. Não, não é um bluff”, disse.
O professor na Mandela School of Public Governance da Universidade de Cape Town observou que países com importância económica significativa no continente, como o Egipto, como o Quénia, como a Etiópia, como a Nigéria, fezeram o exercício de actualização das suas contas nacionais durante os últimos sete anos e descobriram que há, normalmente, uma subestimação do PIB que pode ir entre 20% a 30%.
“Então, imaginemos o resto dos países que ainda não fizeram a sua atualização e que não estão em dia terem, comparativamente, uma subestimação dessa ordem de grandeza. Não temos a certeza, mas segundo os dados dos meus pesquisadores, estamos a falar como uma subestimação na ordem dos 21%”, afirmou Carlos Lopes.















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