A transformação digital está a mudar a gestão pública e a desafiar os Tribunais de Contas. Em Luanda, jovens auditores da CPLP discutem como preparar o controlo externo para uma administração cada vez mais digital.
O desafio foi destacado pelo juiz conselheiro presidente do Tribunal de Contas de Angola e da Organização das Instituições Superiores de Controlo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (OISC-CPLP), Sebastião Domingos Gunza, na abertura do III Encontro de Jovens Auditores, realizado terça-feira, 27 de Outubro, em Luanda.
“A digitalização das instituições públicas, o uso da inteligência artificial, o tratamento de grandes volumes de dados e exigências de sustentabilidade estão a alterar a forma como os serviços públicos funcionam e como os recursos são geridos”, afirmou.
Perante esta realidade, defende que as Instituições Superiores de Controlo (ISC) devem acompanhar a evolução tecnológica e preparar-se para fiscalizar uma administração pública cada vez mais digital. A resposta passa pelo desenvolvimento de competências, adopção de métodos adequados e reforço da cooperação entre instituições.
A inovação, sublinhou Sebastião Domingos Gunza, não pode afastar os princípios do controlo externo: “Que a tecnologia nos dê velocidade, mas nunca nos retire o discernimento; nos ofereça dados, mas nunca nos dispense da consciência e da responsabilidade”.
Entre oportunidades e desafios
A troca de experiências é uma das expectativas dos jovens participantes. Eloneida Maneco, auditora do Tribunal de Contas de Angola, considera o encontro uma oportunidade para reforçar a qualidade e o rigor da fiscalização. Defende, igualmente, mais acções de formação para elevar a capacidade técnica dos auditores e melhorar a fiscalização da Administração Pública.
De Moçambique, Arsénio Tzambi, auditor de controlo externo do Tribunal Administrativo local, aponta a inteligência artificial (IA) como aliada na avaliação de relatórios e na redução de tarefas rotineiras.
Contudo, alerta para obstáculos concretos. “O grande desafio seria o acesso à internet”, sobretudo em entidades localizadas em zonas remotas. A formação dos profissionais e a compreensão dos riscos da inteligência artificial são outras prioridades.
Em Moçambique, a prestação de contas ainda é feita em papel, estando em curso a transição para o formato electrónico, informa o jovem auditor.
O III Encontro de Jovens Auditores decorre até 28 de Outubro e reúne 18 jovens profissionais de sete países lusófonos. A jornada prossegue, a 29 de Outubro, com o IX Seminário da OISC-CPLP, que reunirá presidentes das ISC e incluirá uma reflexão sobre o futuro do controlo externo e uma palestra de Armando Manuel, presidente do Fundo Soberano de Angola.
O propósito é transformar o debate em propostas para instituições mais transparentes, sustentáveis e preparadas para fiscalizar a gestão dos recursos públicos.















