A contribuição do sector das pescas para o Produto Interno Bruto (PIB) fixou-se em 6,2% no primeiro trimestre deste ano, uma aceleração face aos 5,3% observados no período homólogo, segundo dados avançados pela Ministra das Pescas e Recursos Marítimos, Carmen do Sacramento Neto, na Conferência Internacional da Pesca e Aquicultura Sustentável (CIPAS 2026).
O desempenho reflecte o impacto das políticas do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND 2022-2027) e é sustentado por um volume global de produção que atinge as 664 mil toneladas de pescado, impulsionado pelo crescimento do segmento industrial e pela consolidação dos dados da frota artesanal.
A pesca industrial e semi-industrial continua a assegurar a maior fatia do volume capturado no País, contabilizando 411 mil toneladas. Por sua vez, a pesca artesanal assinalou uma produção de 253 mil toneladas, resultado que reflecte um maior rigor no levantamento de dados e estimativas junto das comunidades costeiras.
A titular da pasta sublinhou que por trás do desempenho estatístico está uma estratégia virada para a melhoria do ambiente de negócios. “A mensagem é que a produção existe e que estes números são o reflexo directo da melhoria do ambiente de negócios”, declarou a governante. A responsável reforçou que o Executivo está a orientar as regras para que os empresários “possam contribuir com o seu melhor, com empresas sãs capazes de, conjuntamente com a banca e outros Ministérios, constituir a massa que vai aumentar esta produção”.
Para reforçar o controlo de rastreabilidade e fiscalizar a cadeia de valor desde o mar até ao consumidor final, o Ministério mapeou 215 pontos de desembarque na costa nacional, dos quais 115 correspondem à pesca artesanal formalizada.
"Em termos de política pública, trazer locais de entrada onde possamos acompanhar a rastreabilidade do que é produzido é algo em que estamos a trabalhar. Queremos saber de onde vem o pescado, para onde vai e como chega à mesa do cidadão", afirmou a ministra.
Apesar dos resultados positivos, a governante admitiu que "nem tudo é um mar de rosas" e apontou constrangimentos operacionais decorrentes da conjuntura internacional, em particular a flutuação dos preços do petróleo e derivados, que impactam directamente os custos de estrutura das embarcações. "Fazemos a projecção da produção calculando o que cada embarcação pesca por cada litro de gasóleo. Isto traz-nos a projecção de que os preços do pescado ainda não são aqueles que gostaríamos de ter", justificou.
Para contrabalançar as limitações da captura marinha, o Executivo reforça a aposta na aquicultura continental, com destaque para a produção de tilápia, permitindo alavancar o consumo per capita de pescado no País e alinhar a sustentabilidade biológica à segurança alimentar nacional.















