A Secretária Executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Maria de Fátima Jardim, defendeu nesta quinta-feira, 29, em Luanda, o fortalecimento da economia azul com foco na protecção da biodiversidade marinha, combate à pobreza e inclusão das comunidades costeiras.
A responsável, que tomou a palavra durante a 2.ª Conferência Internacional sobre Pesca e Aquicultura Sustentável (CIPAS), apelou para a adopção urgente de estratégias de prevenção, gestão de crises, vigilância e monitorização marítima.
“Enfrentamos novos desafios que nos exigem a definição clara de prioridades. É fundamental traduzir a importância do oceano em estratégias, políticas e princípios concretos que permitam planificar, gerir e preservar eficazmente um dos ecossistemas mais vitais para a nossa comunidade”, sugeriu a executiva da CPLP.
Destacou que a segurança alimentar e nutricional também configura uma prioridade na estratégia de desenvolvimento do sector, “porque os nossos níveis de desenvolvimento ainda não são iguais”.
“Somos nove Estados”, continuou, manifestando da pretensão de os transformar em sociedades mais justas e erradicadas da pobreza. “A prioridade reside nos direitos fundamentais dos nossos cidadãos, pois é nas pessoas, na cidadania e na mobilidade que se encontra o segredo para a construção de uma comunidade mais próspera”, observou.
Maria de Fátima Jardim realçou que o sector das pescas, o mar e os oceanos mantêm uma posição central na visão estratégica da CPLP. “A abordagem actual ao mar transcende as pescas, com a integração de áreas transversais como o clima, a biodiversidade, os recursos minerais, a água, a acção social, a igualdade de género e o combate à pobreza”, esclareceu.
Segundo Maria de Fátima Jardim, a CPLP conta com três estados insulares e seis litorais. Para a ex-ministra do ambiente, este panorama confere à organização “uma forte vocação marítima e grande potencial para a economia azul, segurança alimentar e combate às assimetrias sociais”.
Reconheceu a importância da ciência, da inovação e do papel dos investigadores e, neste aspecto, destacou a recente criação do prémio para jovens investigadoras nas Ciências da Vida (iniciativa da Guiné Equatorial) e enalteceu o papel de Angola na investigação, com a estação fixa de recolha de dados ambientais (activa desde 1967), que serve de referência internacional à UNESCO/COI.
Ao sintetizar as realizações da CPLP, a também ambientalista apresentou a recente assinatura do memorando com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para a formação e capacitação de 100 técnicos nas áreas de meteorologia e ambiente marinho.
Elencou também a elaboração do programa estratégico para os oceanos e a criação de uma rede de comités nacionais no âmbito da Década das Nações Unidas das Ciências dos Oceanos, assim como a recente aprovação do Plano Estratégico da Cooperação para os Oceanos. O diploma visa uma acção comunitária coordenada, multissectorial e orientada para resultados de governação sustentável.















