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Banco de Moçambique mantém taxa de juro de política monetária e antevê aumento do custo de vida

Hermenegildo Langa
5/8/2026
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Foto:
DR

Perspectiva-se que, a curto prazo, os preços continuem a aumentar, reflectindo os efeitos indirectos do aumento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos e da inflação importada.

O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique (BdM) decidiu, esta quarta-feira, manter pela terceira vez consecutiva a taxa de juro de política monetária (MIMO) em 9,25%, numa decisão que reflecte a confiança na estabilidade da economia e na eficácia das medidas adoptadas para controlar a inflação. Ainda assim, risco do agravamento do custo de vida e  incertezas associados às projecções de inflação.

O anúncio foi feito pelo governador do banco central, Rogério Zandamela, após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), admitindo aumento de riscos e incertezas associadas aos factores domésticos (cheias, inundações e ciclones) e internacionais (conflito geopolítico no Médio Oriente).

“No curto prazo, perspectiva-se que os preços continuem a aumentar, reflectindo os efeitos indirectos do aumento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos e da inflação importada. Entretanto, no médio prazo, antevê-se uma redução da inflação para um dígito explicada entre outros factores, pela perspectiva de manutenção da estabilidade cambial e de abrandamento dos preços dos produtos energéticos e dos alimentos”, advertiu Rogério Zandamela.

Na ocasião, o governador do BdM apontou para um aumento da inflação no curto prazo e uma redução da inflação para um dígito no médio prazo, recordando que em Junho de 2026 a inflação anual fixou-se em 7,5%, após 7,2% em Maio.

“Os riscos e as incertezas associadas às projecções da inflação mantêm-se elevados e a magnitude dos efeitos indirectos do aumento dos preços dos combustíveis, bem como o ritmo de reposição da capacidade produtiva na sequência das inundações que assolaram o país no primeiro trimestre do ano”, afirmou o responsável, acrescentando ainda sobre o impacto do agravamento do risco fiscal, efeitos dos choques climáticos e as incertezas do conflito no Médio Oriente.

Solidez no sistema financeiro

Durante a apresentação das decisões do CPMO, Rogério Zandamela sublinhou que o sistema financeiro nacional se mantém estável e resiliente, com indicadores acima dos mínimos regulamentares que garantem capacidade para enfrentar eventuais choques económicos.

O governante destacou igualmente que os níveis de inclusão financeira continuam a melhorar no país, impulsionados pela expansão dos serviços digitais. “O número de pontos de acesso aos serviços financeiros aumentou 47% desde finais de 2024, enquanto as contas de moeda electrónica cresceram 18%, reforçando o acesso da população ao sistema financeiro”, referiu.

De acordo com o banco central, este desempenho decorre, entre outros, do impacto da interoperabilidade entre as instituições de moeda electrónica, bancos, microbancos e demais prestadores de serviços de pagamento, através da SIMOrede.

“A implementação do sistema de pagamentos instantâneos (METIX) dinamiza as transacções financeiras. Com a introdução do METIX, observa-se uma tendência de aumento de uso deste sistema, o que evidencia maior preferência pela realização de transferências interbancárias de forma imediata, cómoda e gratuita, sendo que, desde a sua entrada em produção, em Março de 2026, o número de transferências triplicou para mais de 11 mil por dia.”

A próxima reunião do CPMO está agendada para 30 de Setembro.