O Banco Mundial não tem dúvidas que a Inteligência Artificial (IA) pode ajudar as economias em desenvolvimento, como a de Angola, a acelerar o seu nível de crescimento e alcançar em uma década o que levaria um século, refere um recente estudo do BM, divulgado nesta segunda-feira, 4.
Na pesquisa, a instituição de Bretton Woods coloca Angola entre os países com pior desempenho no que à adopção à IA diz respeito. Portugal e Reino Unido aparecem no gráfico como dos países com maior evolução na utilização da Inteligência Artificial.
Segundo o ‘Relatório de Desenvolvimento Mundial 2026 do Grupo Banco Mundial: A Promessa da Inteligência Artificial’, consultado pela revista E&M, países africanos como o Rwanda, a Zâmbia e o Uganda configuram entre os Estados com um nível razoável de adopção de IA na sua economia.
Abaixo do nível de Angola estão países como a República Democrática do Congo (RDC), Líbia, Guiné Equatorial e Djibuti, com classificação ‘residual’ em relação ao recurso das ferramentas modernas de Inteligência Artificial na dinâmica económica.
“Os países com melhor desempenho tendem a ser aqueles de língua inglesa (embora nem todos os países de língua inglesa apresentem desempenho superior). Em resultados de regressão separados, a relação entre pontuações mais altas e países de língua inglesa mostra-se estatisticamente significativa”, realça o estudo.
Para atingir os níveis de uso de IA capazes de acelerar o desenvolvimento económico, o Banco Mundial aconselha os governos a procederem à superação de lacunas críticas em electricidade, acesso à internet, habilidades digitais pelos cidadãos e instituições.
O relatório reafirma que a IA representa uma grande oportunidade para os países em desenvolvimento impulsionarem o crescimento num momento em que vivenciam o pior desempenho económico médio em três décadas, mas alerta que os benefícios dependerão da rapidez com que construírem as bases necessárias para a adopção da tecnologia.
O documento observa que os empregos em países de alta renda têm três vezes mais probabilidade de estarem em risco de automação devido à Inteligência Artificial Generativa do que os empregos em países de baixa e média renda.
O ‘Relatório de Desenvolvimento Mundial 2026 do Grupo Banco Mundial: A Promessa da Inteligência Artificial’ constatou que 4,5% dos empregos existentes em economias em desenvolvimento estão em risco, em comparação com 14,2% em economias de alta renda.
Ao mesmo tempo, a IA pode melhorar significativamente a produtividade nos países em desenvolvimento, com 16,2% dos empregos a beneficiarem de ganhos de produtividade significativos, valor próximo aos 18,7% projectados para as economias de alta renda, refere a pesquisa.
“Uma tábua de salvação para as economias em desenvolvimento”
Indermit Gill, vice-presidente Sénior e economista-chefe do Grupo Banco Mundial, observa, citada pelo jornal nigeriano The Guardian, que as economias em desenvolvimento têm uma oportunidade rara de usar a IA para melhorar vidas sem primeiro construir modelos de IA caros ou grandes centros de dados.
“A IA lançou uma tábua de salvação para as economias em desenvolvimento, e elas devem aproveitá-la. Não precisam de grandes modelos ou centros de dados gigantescos para colher benefícios. Ao adaptar ferramentas de IA pequenas e de baixo custo às condições locais, podem levar melhores cuidados médicos, educação, serviços judiciais e extensão rural ao alcance de milhões de pessoas”, perspectiva.
Gill observa que as economias em desenvolvimento precisam apressar-se nesta evolução tecnológica: “A IA está a espalhar-se mais rapidamente e é mais específica ao contexto do que tecnologias de uso geral anteriores, como a internet. O relatório (...) mostra como os países em desenvolvimento estão a responder e a obter sucesso”.















