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BODIVA defende cooperação regulatória para acelerar integração africana

Amilton Victor
4/11/2026
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Foto:
Carlos Aguiar

Principal desafio local tem sido sensibilizar os investidores institucionais, como fundos de pensões e seguradoras, a diversificarem as suas carteiras.

A Administradora Executiva da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), Cristina Dias Lourenço, defendeu nesta quarta-feira, 4, em Luanda, uma cooperação regulatória entre as praças financeiras do continente africano para acelerar a integração regional.

A responsável, que participava do painel 'Além das ligações de mercado: Listagens harmonizadas podem desbloquear liquidez transfronteiriça em toda a África?', na Cúpula Financeira da África (AFIS) 2026, sugeriu uma estratégia estruturada em duas fases.

Na primeira, apontou a construção de confiança interna para o fortalecimento do mercado doméstico antes da expansão externa. "Se não conseguirmos convencer um investidor angolano a aplicar o seu capital em Angola, dificilmente ele investirá em praças como o Quénia, Casablanca ou na BRVM", observou.

Na segunda, destacou o reconhecimento mútuo de regras, advogando, entretanto, um fluxo transfronteiriço de capitais através de padrões internacionais comuns, como os da World Federation of Exchanges (WFE) e da International Organization of Securities Commissions (IOSCO).

Assinalou que embora Angola ainda não integre formalmente o African Exchange Linkage Project (AELP) devido à juventude do seu mercado, o caminho mais viável para a integração transfronteiriça passa pelo reconhecimento mútuo dos órgãos reguladores locais, em vez de uma harmonização total das legislações.

"Se uma instituição da África do Sul ou de Angola quiser investir no mercado vizinho, o reconhecimento recíproco entre os reguladores simplificará a custódia, as liquidações e as transferências de capital, criando um ambiente regulatório previsível e activo para todo o continente", sustentou a executiva da BODIVA.

Cristina Lourenço reafirmou que o mercado bolsista angolano conta actualmente com sete Ofertas Públicas Iniciais (IPOs), com destaque para o sector bancário, incluindo o recente IPO do Standard Bank de Angola, além de operações nos sectores de telecomunicações e seguros.

"Angola representa o dividendo demográfico de que tanto se fala: expansão e crescimento. Somos o mercado mais jovem da região subsaariana e do continente africano, por isso a consolidação da nossa bolsa é uma conquista recente, mas em rápida evolução", afirmou.

Desafio da literacia e a atracção de investidores institucionais

A reguladora do mercado bolsista explicou que o principal desafio local tem sido sensibilizar os investidores institucionais, como fundos de pensões e seguradoras, a diversificarem as suas carteiras, migrando de activos de baixo risco (títulos do Tesouro) para instrumentos de maior rendimento e risco, como as acções.

Segundo a administradora, este processo exigiu um alinhamento regulatório com a Comissão de Mercados de Capitais (CMC). "Quando as normas originais do sector financeiro foram redigidas, não existia um mercado acionista em Angola. Com o devido esclarecimento e adaptação das regras, o interesse e a participação das instituições locais no mercado primário e secundário registaram um crescimento sustentado", detalhou.

Fundada há 12 anos com foco no mercado de dívida soberana e obrigações governamentais, a BODIVA deu o passo decisivo em direcção ao mercado de acções (equity) em 2022.