O preço do petróleo está a subir esta terça-feira, prolongando os ganhos das últimas sessões, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter apresentado novas exigências ao Irão, complicando as perspectivas de um acordo para reabrir o estreito de Ormuz e normalizar os fluxos globais de energia.
O Brent, referência para exportações angolanas, está a valorizar 1,79% para 89,29 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência para os Estados Unidos, avança 1,88% para 83,67 dólares, de acordo com as cotações da Bloomberg.
Desde o início do ano, acumulam ganhos de 46,74% e 45,72%, respectivamente. A previsão aponta para que esta trajectória ascendente se mantenha no curto prazo, impulsionada pelo risco geopolítico acrescido e pelo estrangulamento da oferta.
Donald Trump exigiu uma compensação ao Irão pelas pessoas que o país matou em conflitos, depois de Teerão ter reiterado os seus próprios pedidos de reparações no âmbito das negociações para pôr fim à guerra. O Presidente norte-americano afirmou que irá incluir estas novas exigências em futuras negociações, num endurecimento de posições que reduz as perspectivas de um entendimento imediato entre Washington e Teerão.
O Irão e Omã têm estado a negociar um acordo para reabrir Ormuz, mas Teerão voltou a defender que qualquer entendimento terá de passar pelo fim do bloqueio norte-americano e por uma compensação pelos danos causados. Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) mundiais passava pelo estreito, mas o tráfego continua muito abaixo dos níveis normais.
Segundo Amrita Sen, da Energy Aspects, citada pela Bloomberg, estão actualmente a atravessar Ormuz cerca de cinco navios por dia, contra aproximadamente 14 após o memorando de entendimento alcançado em Junho. Projecta-se que, caso o fluxo de embarcações permaneça nestes patamares mínimos nas próximas semanas, o défice estrutural no abastecimento ocidental force uma nova revisão em alta nas cotações globais.
Diante deste cenário, estima-se que os preços do Brent possam testar a barreira dos 100 dólares por barril até ao próximo trimestre, mantendo os custos dos combustíveis refinados sob forte pressão inflacionista.









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