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Carlos Lopes critica subvalorização das remessas de imigrantes africanos

Victória Maviluka
15/6/2026
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Foto:
Carlos Aguiar

Economista assinala que os imigrantes africanos mandam dinheiro para os países africanos duas vezes mais do que a ajuda ao desenvolvimento.

As remessas de imigrantes africanos em direcção ao continente atingiram, o ano passado, cerca de 100 biliões de dólares,  o dobro da ajuda ao desenvolvimento. Carlos Lopes considerou que há uma subvalorização destas remessas, e defende que os Estados africanos deviam preocupar-se em transformá-las em algo de mais produtivo.

Ao intervir, nesta segunda-feira, 15, em Luanda, como orador principal da primeira edição da conferência ‘Pensar Global’, o economista e professor na Mandela School of Public Governance da Universidade de Cape Town recordou que, contrariamente às remessas de imigrantes, a ajuda ao desenvolvimento tem estado a diminuir. 

Só nos últimos dois anos, precisou o ex-secretário-geral adjunto das Nações Unidas, citando dados da OCDE, a ajuda ao desenvolvimento registou uma redução de 23% em números absolutos: “Um número para mostrar quanto insignificativa é actualmente a ajuda ao desenvolvimento”.

Concluiu, por isso, que os imigrantes africanos mandam dinheiro para os países africanos duas vezes mais do que a ajuda ao desenvolvimento. E critica que estas remessas não tenham “nenhum tratamento, porque normalmente os dirigentes africanos, ao pequeno almoço, ao almoço e ao jantar, discutem ajuda ao desenvolvimento, nunca lhes passa pela cabeça discutir as remessas de imigrantes, que é o dobro, e como transformá-las em algo de mais produtivo”. 

No evento que decorre sob o tema ‘África e Mundo – Repensar a Relação Actual e Redefinir o Futuro’ lembrou que, há 26 anos atrás, o PIB de África mais do que duplicou de tamanho, entretanto, a percentagem da ajuda ao desenvolvimento, que já era pequena, passou a ser insignificante.  

“Em relação ao tamanho das economias africanas, estamos a falar de entre 1% e 1,5% do tamanho das economias. Portanto, não são os empréstimos concessionais que vão fazer a diferença. Eles continuam a ser muito importantes para a resposta humanitária, para determinado tipo de actividades de países mais vulneráveis, mas em termos macroeconómicos não têm essa importância”, afirmou Carlos Lopes.