O CEO do African Bank of Oman (ABO), Dinis Mendes, afirmou hoje que Angola não tem de esperar pela conclusão de toda a rede nacional de infra-estruturas para iniciar o desenvolvimento do seu potencial turístico, defendendo uma abordagem faseada e a mobilização de capital paciente como caminho para diversificar a economia, criar emprego e captar investimento internacional.
Em declarações durante um encontro com jornalistas promovido pelo ABO, sob o tema "Como se financia o turismo em Angola?", e realizado em antecipação à Cimeira de Investimento de Angola 2026, o responsável sublinhou que o turismo representa actualmente cerca de 10% da economia mundial e sustenta um em cada dez empregos no planeta.
"O principal desafio não é escolher entre infra-estruturas ou turismo. É compreender que ambos precisam de avançar em paralelo. Angola não tem de esperar que toda a rede nacional de estradas esteja concluída para começar a desenvolver o seu potencial turístico. Existem regiões e projectos que podem avançar já hoje, desde que exista financiamento adequado e uma estratégia clara de desenvolvimento", afirmou Dinis Mendes.
O CEO do ABO salientou igualmente que o turismo de nicho e de elevado valor acrescentado poderá desempenhar um papel crucial na fase inicial do sector. "O turismo de alto valor não é uma alternativa ao turismo de massa. É muitas vezes o primeiro passo para a sua construção. Cada lodge, eco-resort ou projecto turístico bem-sucedido contribui para criar competências, fornecedores, serviços e infra-estruturas que servirão de base ao crescimento futuro do sector", referiu.
Durante a sessão, foi abordado o conceito de capital paciente, investimento com horizonte de longo prazo, capaz de acompanhar projectos que exigem períodos mais extensos de maturação e retorno. Segundo Dinis Mendes, este capital, complementado por instrumentos como blended finance, green finance, finança islâmica e parcerias com instituições de desenvolvimento, pode "desempenhar um papel determinante na transformação de projectos turísticos em oportunidades concretas de investimento".
O responsável destacou ainda o papel que o ABO pretende desempenhar enquanto plataforma financeira de ligação entre Angola, África e os países do Golfo. "Propomo-nos a ser o parceiro financeiro do 'petróleo verde' de Angola, mobilizando capital, financiamento verde e co-investimento para transformar a estratégia nacional de desenvolvimento turístico, dos eco-lodges aos grandes resorts, em projectos concretos e bancáveis", salientou.














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