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Cheias isolam capital de Moçambique do resto do país e com um rasto de destruição

Hermenegildo Langa
23/1/2026
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Foto:
DR

As cheias provocaram a inundação parcial de cerca de 4000 casas e a destruição total de mais de 2 567 habitações. Cerca de 150 quilómetros de estradas estão igualmente destruídos.

O balanço das inundações provocadas pelas chuvas fortes que caem em Moçambique desde Dezembro passado é ainda provisório. Ainda assim, já deixaram um rasto de destruição, desde a perda de infra-estruturas sociais até vidas humanas.

Até ao momento, a situação é descrita pelo Governo moçambicano como alarmante, chegando a decretar um alerta vermelho desde a semana passada. Só na região Sul de Moçambique, estima-se que 594 681 pessoas tenham sido afectadas nas províncias de Gaza e Maputo, bem como na Cidade de Maputo, sendo 330 390 em Gaza e 264 291 na Província e Cidade de Maputo.

De acordo com a última informação avançada pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, as cheias provocaram ainda a inundação parcial de cerca de 4000 casas e a destruição total de mais de 2 567 habitações.

As cheias causaram igualmente danos significativos nas infra-estruturas rodoviárias, com a destruição de cerca de 150 quilómetros de estradas e mais de dois mil quilómetros afectados, apresentando vários troços intransitáveis. Entre os casos mais críticos está a interrupção em três secções da Estrada Nacional Número 1 (N1), isolando a ligação rodoviária entre o Sul e o Centro do país, a partir das províncias de Maputo e Gaza.

Esta quinta-feira (22), a Administração Nacional de Estradas (ANE), disse ser ainda prematuro aferir categoricamente os impactos ao longo da N1. Segundo a ANE, só na província de Gaza, “a situação das estradas é preocupante”, sublinhando que o cenário pode ser pior do que se pode ver ou imaginar.

“A Estrada Nacional Número 1 (N1) está dividida na zona de Incoluane, mas há muitos outros troços em condições deploráveis neste momento. A estradas que neste momento estão cortadas e que a transitabilidade não é possível, nomeadamente a N221, entre Chibuto e Guijá, onde encontramos alguns cortes na zona de Guele-Guele, e também de Guijá para Mabalane, onde temos cortes logo depois da vila de Guijá, há cortes na baixa de Incoluane, e também na zona de Niza, há 20 quilómetros antes da viola de Mabalane, entre outras vias”, disse Jeremias Mazoio.

Morte pelas cheias

Moçambique está em plena época chuvosa, que iniciou em Outubro passado e deverá terminar em finais de Março deste ano. Contudo, este período tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.

O país é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.

Na presente época chuvosa, de acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), o número de óbitos já totaliza 122.

Para já, para o acolhimento das populações desalojadas, foram criados 60 centros de acomodação temporária, dos quais 14 na província de Gaza, que albergam 38 164 pessoas, 19 na Cidade de Maputo, com 4 011 pessoas, e 27 na província de Maputo, que acolhem 13 347 pessoas.

Para fazer face à actual situação humanitária, o Governo de Moçambique necessita de cerca de 6,6 mil milhões de meticais (aproximadamente 103 milhões de dólares) adicionais para responder de forma adequada aos impactos da actual época chuvosa.

No total, estão estimados 14 mil milhões de meticais para assegurar assistência humanitária, apoio aos deslocados, serviços de saúde e alimentação nos centros de acomodação em todo o país.

Segundo o Executivo, o valor agora apresentado resulta de uma revisão em baixa face ao défice anteriormente estimado em cerca de 8 mil milhões de meticais, após a contabilização de recursos já mobilizados e do apoio assegurado por parceiros internacionais, num contexto de pressão acrescida sobre o orçamento do Estado.

No entanto, a situação, segundo o Governo, permanece dinâmica e as necessidades poderão evoluir à medida que a época chuvosa avança.