A Tanzânia prepara uma viragem na sua política económica. Até 2035, pretende reduzir em 50% as importações, reforçar a produção nacional e transformar as pequenas e médias empresas (PME) em protagonistas do renascimento industrial. A ambição está inscrita na estratégia 2025/26–2034/35, alinhada com a Visão de Desenvolvimento 2050.
A estratégia não parte do zero. A Tanzânia procura agora ampliar resultados acumulados ao longo de quase três décadas. Entre 1996 e 2023, o valor dos produtos manufacturados saltou de 254,3 mil milhões (cerca de 96 milhões USD) para 13,18 biliões de xelins tanzanianos (aproximadamente 5 mil milhões USD).
No mesmo período, assinala a imprensa local consultada pela revista Economia & Mercado, o peso da indústria transformadora no PIB do país passou de 1,1% para 7%. O emprego formal no sector também cresceu, de 63.317 trabalhadores, em 1999, para 374.485, em 2022.
Os sinais de expansão continuam. Segundo dados apresentados pela ministra da Indústria e Comércio, Judith Kapinga, 25 novas fábricas de média e grande dimensão entraram em funcionamento no exercício económico de 2025/26, gerando 39.250 postos de trabalho, entre directos e indirectos.
Até Abril de 2026, a produção nacional de cimento atingiu 10,3 milhões de toneladas, acima da procura interna, estimada em 8,5 milhões. Na indústria farmacêutica, 11 novas unidades iniciaram produção experimental e produziram 1,2 mil milhões de unidades de medicamentos.
O plano identifica como sectores prioritários a fabricação de máquinas e equipamentos, produtos químicos, microchips, processamento de minerais de terras raras, vestuário, equipamentos de defesa e veículos. Prevê ainda elevar a participação das PME no valor da indústria transformadora de 12% para 60% e fazer com que os manufacturados representem metade das exportações.
Para financiar a transformação, serão necessários 76,96 biliões de xelins tanzanianos (cerca de 29 mil milhões USD), a serem mobilizados através do orçamento público, investidores privados e parceiros de desenvolvimento.
O primeiro-ministro Mwigulu Nchemba deixou, contudo, um alerta sobre o principal risco do programa: “Uma política é uma coisa, a implementação é outra”. Defendeu que o próprio Estado deve dar preferência aos produtos nacionais nas suas aquisições, evitando financiar fábricas locais enquanto compra no exterior aquilo que estas produzem.
A aposta é também uma resposta à pressão sobre o mercado de trabalho. Cerca de 1,5 milhão de tanzanianos entram anualmente na população activa. Por isso, o Governo pretende atribuir ao sector privado um papel central na criação de emprego e no financiamento do desenvolvimento.
Apesar dos avanços, persistem dificuldades no acesso ao financiamento industrial, na inovação, na modernização tecnológica e no fornecimento de matérias-primas. A produção nacional de óleos alimentares, por exemplo, continua abaixo da procura interna.















