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Governador do BNA desmonta os pilares da desaceleração inflacionária em 2025

Adnardo Barros
9/1/2026
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Foto:
Isidoro Suka

O responsável pela política monetária e cambial do País aponta expansão do sector não-petrolífero, estabilidade cambial e política monetária restritiva como factores chave.

Num balanço à evolução da taxa de inflação em 2025, o Governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, apresentou uma análise detalhada sobre os motivos da desaceleração inflacionária registada no período. Num encontro realizado nesta sexta-feira com os jornalistas, Manuel Tiago Dias classificou a redução como "muito substancial", embora tenha reconhecido que "a taxa ainda é alta".

Na análise aos factores por trás da queda da taxa de inflação, o Governador destacou "o aumento substancial da oferta de bens e serviços", com especial dinamismo no sector não-petrolífero, nomeadamente na indústria transformadora. Para cobrir défices pontuais, principalmente em bens essenciais, o País recorreu a importações, facilitadas pela estabilidade cambial.

A estabilidade da taxa de câmbio foi apontada como um pilar fundamental no controle de preços. O Governador revelou que, graças a um influxo robusto de divisas no mercado cambial, a moeda nacional manteve-se praticamente inalterada ao longo de 2025. Os bancos comerciais compraram, apenas entre Janeiro e Novembro, cerca de 8,8 mil milhões de dólares americanos a empresas petrolíferas, diamantíferas e outros clientes, valor superior aos 7 mil milhões de dólares no período homólogo de 2024. Essas divisas, depois repassadas aos clientes bancários, ajudaram a sustentar a estabilidade.

A política monetária restritiva do BNA também foi determinante. O crescimento dos meios de pagamento (agregado M2 em moeda nacional) foi contido a cerca de 13%, ficando abaixo da taxa de inflação, o que, segundo o Governador, "evidencia o controle da circulação monetária".

Outro indicador positivo referido foi o ligeiro crescimento das Reservas Internacionais Líquidas (RIL), que passaram de 15,7 mil milhões para 15,9 mil milhões de dólares entre 2024 e 2025. Manuel Tiago Dias sublinhou que estas são distintas das operações regulares do mercado cambial e reforçam a capacidade do País em cumprir compromissos externos.

"Tivemos a inflação em queda, o mercado cambial estável, a oferta de bens na economia com aumento e tivemos também o controle dos instrumentos de pagamento", concluiu, acrescentando que este conjunto de factores coloca o País "numa posição favorável" para prosseguir com a redução da inflação e contribuir para "a recuperação do poder de compra da população".