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“Há uma geração que está a movimentar dinheiro sem nunca ter entrado numa agência bancária” - PwC

Victória Maviluka
27/5/2026
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Foto:
Andrade Lino

Os pagamentos com activos digitais deixaram de ser uma curiosidade tecnológica para se tornarem uma realidade competitiva.

O Country Senior Partner da PwC, Ricardo Santos, realçou, nesta quarta-feira, em Luanda, que em África, e em Angola em particular, há uma geração que está a aprender a movimentar dinheiro através do telemóvel sem nunca ter entrado numa agência bancária.

A questão para o sector bancário angolano, salientou o técnico da consultora internacional na IV Angola Banking Conference, não é se deve responder a esta mudança, mas com que velocidade e ambição o consegue fazer. 

“E aqui ganha relevância crescente um tema que marcará certamente a nossa atenção: os pagamentos com activos digitais que deixaram de ser uma curiosidade tecnológica para se tornarem uma realidade competitiva que, em diálogo com o regulador, a banca terá oportunidade de incorporar”, reparou. 

No evento com o lema ‘Futuro da Banca em Angola: Resiliência, Inovação e Sustentabilidade do Negócio’, numa iniciativa da revista E&M em parceria com a PWC, Ricardo Santos disse que a inteligência artificial está a transformar a maneira como se faz banca, um cenário visível na forma como se concede crédito, como se detecta fraude, como serve o cliente e como se tomam decisões. 

Para o Country Senior Partner da PwC, que proferia as palavras de boas-vindas aos participantes da conferência, as instituições que souberem transformar a obrigação regulatória em capacidade tecnológica, usando, por exemplo, a IA para alavancar compliance ou aperfeiçoar modelos de risco, serão duplamente beneficiadas.

“Aquelas que, por outro lado, tratarem os dois temas como compartimentos estanques, correm o risco de gastar muito e alcançar pouco”, ressaltou. 

Considerou que Angola dispõe, hoje, de capital, talento e ambição para construir um sector bancário moderno, resiliente e plenamente integrado na economia global, o que coloca como desafio coletivo, mas também como oportunidade, converter esses recursos em financiamento real, em valor real e impacto real na economia.

“O caminho exigirá colaboração estreita entre as instituições financeiras, os reguladores e o Governo, visão de longo prazo e capacidade de execução” observou Ricardo Santos, para quem há uma mudança do perfil do consumidor financeiro e um contexto macroeconómico e geopolítico global que continua a exigir capacidade de adaptação.