A implementação da zona de comércio livre é a medida mais importante para a transformação de África, segundo Carlos Lopes, economista e académico guineense, que foi a figura central da primeira edição do “Pensar Global”, evento realizado em Luanda, por iniciativa da Revista E&M.
A mensagem de Carlos Lopes (professor na Mandela School of Public Governance e investigador associado da Oxford Martin School) é dirigida (sobretudo) aos líderes africanos porque, na visão deste académico da Guiné de Amílcar Cabral, o continente berço precisa evoluir rapidamente.
“O mundo está em decomposição das regras comerciais, da intelectualidade, de sistemas de financiamento, enfim. Não temos tempo”, disse durante o debate conduzido pelo professor José Octávio Serra Van-Dúnem e Carlos Gorges, head of advisory e partner da KPMG - Angola.
A zona de comércio livre africana, prosseguiu, foi lançada durante o período da pandemia da Covid-19, pelas acções já realizadas, é a mais avançada do mundo, equiparando-se (inclusive) com a União Europeia.
“Chegamos à conclusão, rapidamente, que a nossa linha do tempo não é atrasada. Estamos no mesmo caminho que a União Europeia (UE) fez para chegar às etapas onde nós estamos, em termos de tempo”, declarou.
Ainda assim, concluiu, a África tem de correr porque o mundo acelerou.
“O tempo em que a União Europeia fez não é o tempo de hoje. Precisamos acelerar tudo”, afirmou o economista na conferência realizada no dia 15 de Junho de 2025, numa das unidades hoteleiras de Luanda, cujo tema em análise foi “África e o Mundo: Repensar o Presente e Redefinir o Futuro”.
Carlos Lopes também considerou extraordinários os resultados da execução da zona de comércio livre continental, pelo facto de a implementação ocorrer em menos de cinco anos. “Temos uma harmonização tarifária que já chega a 87%, o objectivo era 90%. Então, estamos no bom caminho”.
Com uma zona de comércio livre em pleno, como se pôde depreender das declarações de investigador africano, vai produzir-se para África, haverá maior produção de energia e industrializar-se-á o continente berço.
“Temos sete protocolos que são necessários para implementar a Zona Livre de Comércio. Foram todos iniciados. Há um nível de ratificação muito alto”.
Falar de integração africana, através da zona de comércio livre, continuou, implica componentes chaves. (integração de infra-estrutura; de comércio; produtiva e financeira que é a “convergência macro-económica”). Aos pressupostos indicados, o investigador incluiu a livre circulação de pessoas.















.jpg)