A Inteligência Artificial representa um desafio e, simultaneamente, uma oportunidade para o continente africano, exigindo investimentos em infra-estruturas, competências digitais e capacidade institucional, mas também criando oportunidades para o desenvolvimento de economias assentes no conhecimento e na inovação.
A afirmação é do director nacional das Políticas de Cibersegurança e Serviços Digitais, Hecdiantro da Costa Mena, que falava ontem na cerimónia de abertura da 2.ª edição do Fórum Nacional de Inteligência Artificial (FNIA26), que decorreu em Luanda sob o tema “IA, Data & Digital Transformation: Da Análise à Decisão. Dos Dados ao Impacto”, olhando para o context de África.
Num olhar ao que se prepara internamente, referiu que o País está a desenvolver um quadro regulatório capaz de promover a inovação, garantir segurança jurídica e reforçar a confiança dos cidadãos e das organizações, defendendo que “regular não significa limitar a inovação, mas criar as condições para que ela aconteça de forma sustentável, segura, ética e responsável”.
O responsável, que falava em representação do ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, destacou, durante a sua intervenção, que Angola encara a Inteligência Artificial como um instrumento estratégico para acelerar a transformação digital, impulsionar a diversificação da economia e reforçar a competitividade nacional.
Segundo Hecdiantro da Costa Mena, a Inteligência Artificial deixou de representar uma visão distante do futuro para se afirmar como uma realidade que já transforma sectores económicos, serviços públicos, instituições e a vida dos cidadãos.
Neste contexto, o governante defendeu que o principal desafio consiste em garantir que a sua implementação seja acompanhada por princípios sólidos de governação, responsabilidade e confiança, tendo adiantando igualmente que o Executivo continua a consolidar uma agenda nacional de transformação digital assente na modernização da Administração Pública, na expansão das infra-estruturas digitais, no reforço da conectividade, na promoção da inovação, na valorização do conhecimento e na capacitação do capital humano.
Entre os principais avanços apresentados no evento, refira-se uma parceria entre Angola, através do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS), e a UNESCO, para a implementação da Readiness Assessment Methodology (RAM), para a Inteligência Artificial. Os resultados desta avaliação servirão de base para a elaboração da futura Estratégia Nacional de Inteligência Artificial, que estabelecerá uma visão integrada para o desenvolvimento e utilização responsável da IA em Angola, de acordo com uma nota que chegou à redacção da E&M.
Preencheram a agenda da segunda edição do FNIA debates sobre liderança na era da Inteligência Artificial, transformação digital, dados, governação e ética, soberania digital, cloud computing, centros de dados, cibersegurança, produtividade e desenvolvimento de competências, reunindo representantes do Governo, sector privado, academia, organizações internacionais e especialistas nacionais e estrangeiros.
Estevão Zinga, coordenador e porta-voz do evento, declarou que esta segunda edição representa um importante passo para consolidar o diálogo nacional sobre Inteligência Artificial e acelerar a construção de um ecossistema digital mais inovador, competitivo e inclusivo.
“O FNIA26 pretende afirmar-se como uma plataforma permanente de diálogo entre o Governo, a academia, o sector privado e os parceiros internacionais, promovendo conhecimento, cooperação e soluções concretas para o desenvolvimento responsável da Inteligência Artificial em Angola”, reforçou.














