O investimento directo estrangeiro (IDE) fora do sector petrolífero atingiu o valor mais elevado desde 2008. Angola captou 959,4 milhões USD em 2025, um salto de 171% face ao período anterior. Apenas no primeiro semestre de 2026, o país registou entradas de 667,7 milhões USD, num claro sinal de confiança dos investidores.
No total, o IDE atingiu 2,9 mil milhões USD no primeiro semestre deste ano (mais 12% em termos homólogos), impulsionado por uma economia que recuperou o fôlego. Depois de cinco anos de contração (2016-2020), o Produto Interno Bruto (PIB) cresce desde 2021 e atingiu 8,74% de crescimento homólogo no segundo trimestre de 2026. O sector não petrolífero cresceu 9,24%, com destaque para os diamantes (+16,5%), informação e comunicação (+14,3%) e a indústria transformadora (+12,2%).
Este dinamismo económico tem sido acompanhado por um alívio nos preços. A inflação homóloga fixou-se em 8,43% em Setembro de 2026, ficando abaixo de 10% pela primeira vez em mais de uma década e superando a meta de 8,7% do Banco Nacional de Angola (BNA). Com mais margem de manobra, o BNA cortou a taxa directora em 1 ponto percentual, fixando-a em 14,75%.
O crédito à economia cresceu 11%, com o sector produtivo a disparar 29,1%, totalizando 9,2 biliões de kwanzas.
Dívida sob controlo e rating em melhoria
A gestão das contas públicas continua a dar frutos. O rácio da dívida pública caiu de 115,9% do PIB em 2020 para 51,2% em 2026, mantendo-se dentro do limite legal de 60%. Esta disciplina valeu a Angola uma revisão da perspectiva do rating (B3) pela Moody's, de estável para positiva, em Setembro.
Entretanto, as reservas internacionais líquidas situam-se nos 16,2 mil milhões USD, o equivalente a cerca de oito meses de importações.
Emprego e digitalização
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego desceu para 21,5% no segundo trimestre de 2026 (menos 7,3 pontos percentuais que no ano anterior). Contudo, a informalidade ainda afecta 80,1% dos 10,2 milhões de angolanos empregados.
Na vertente da modernização administrativa, o país superou a média mundial no GovTech Maturity Index do Banco Mundial, com 0,593 pontos, passando para o Grupo B. Os serviços públicos digitais destacam-se como o ponto mais forte, com 0,765 pontos.
Previsões revistas em alta
O futuro próximo é encarado com optimismo pelas instituições. Para 2026, o FMI reviu as previsões de crescimento em alta para 4,4%, o Banco Mundial para 4,5%, o Governo estima 5,7% e o BNA projecta 6,15%. O FMI antecipa ainda uma inflação média de 10,6% para este ano e de 10,2% em 2027.









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