O Estado angolano prevê canalizar 16,21 biliões de kwanzas para o serviço da dívida em 2027, o equivalente a 43,4% da despesa total de 37,34 biliões de kwanzas inscrita na proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE).
O montante global dos encargos com o endividamento representa cerca de 9,87% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para o ano e é cerca de 6% superior aos 15,24 biliões de kwanzas do OGE 2026, em que o serviço da dívida pesava 46% da despesa.
De acordo com o Relatório de Fundamentação do OGE 2027, do total do serviço da dívida, 7,49 biliões de kwanzas são referentes ao pagamento de juros e 8,72 biliões de kwanzas destinados à amortização de capital de médio e longo prazo.
Os encargos com juros, por si só, ascendem a 7,49 biliões de kwanzas (4,56% do PIB), e representam 20,1% da despesa global do OGE. No próximo ano, os juros passam a constituir a maior componente da despesa corrente, superando os 5,74 biliões de kwanzas previstos para as remunerações dos funcionários públicos (pessoal civil, militar e paramilitar). Mesmo quando são incluídas as contribuições do empregador, que elevam os encargos com pessoal para 6,23 biliões de kwanzas, a despesa exclusiva com juros da dívida supera a massa salarial do Estado em cerca de 1,26 biliões de kwanzas.
Do total previsto para juros em 2027, 4,31 biliões de kwanzas correspondem à dívida externa e 3,18 biliões à dívida interna. Face à dotação inicial de 4,32 biliões de kwanzas inscrita no OGE 2026, os encargos com juros aumentam cerca de 73,5%, um acréscimo nominal de 3,17 biliões de kwanzas, de acordo com os cálculos da E&M. A subida é igualmente expressiva quando comparada com a estimativa de execução para este ano, fixada em 5,47 biliões de kwanzas, o que traduz um agravamento de 36,9%.
O Executivo prevê reembolsar 8,72 biliões de kwanzs de capital de médio e longo prazo em 2027, equivalentes a 5,31% do PIB e menos 20,2% do que os Kz 10,92 biliões inscritos no OGE 2026. Deste montante, Kz 5,97 biliões correspondem à dívida externa e Kz 2,74 biliões à dívida interna.
Para pagar as amortizações e cobrir o défice orçamental previsto de 4,11% do PIB (6,74 biliões de kwanzas), o Estado terá necessidades brutas de financiamento de 15,48 biliões de kwanzas (9,43% do PIB, contra 11,01% em 2026). Para responder a essas necessidades, o Executivo prevê mobilizar 9,24 biliões de kwanzas no mercado externo e 6,24 biliões no mercado interno.
O Executivo projecta, ainda assim, uma redução do rácio da dívida pública, de 47,84% do PIB em 2026 para 46,7% em 2027, abaixo do limite legal de 60% previsto na Lei da Sustentabilidade das Finanças Públicas.















