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Moçambicanos são “vencedores” na inclusão financeira com uma taxa de 120%

Victória Maviluka
28/7/2026
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Foto:
DR

Gestor da Vodafone M-Pesa sugere o desenvolvimento de infra-estruturas de base funcionais, framework regulatório específico, simplificação de processos associados às transacções.

A população moçambicana conta com um índice de inclusão financeira situado nos 120%, o que equivale a uma média de mais de uma conta [bancária] por indivíduo adulto, sublinhou, nesta segunda-feira, 27, em Luanda, o director-geral da Vodafone M-Pesa, Sérgio Gomes.

“Fomos vencedores nisto: (...) qualquer pessoa consegue ter acesso a uma conta com um documento só, dentro de sete documentos que estão elencados e que são do domínio nacional”, disse o gestor da carteira digital de pagamentos em Moçambique.

Painelista da Conferência Executiva realizada na capital angolana em alusão aos 25 anos da Empresa Interbancária de Serviços, S.A. (EMIS), Sérgio Gomes sugeriu às instituições financeiras a procederem a um diagnóstico sobre as reais necessidades dos agentes económicos que se encontram na informalidade.

“Quando olhamos para o informal, temos que perceber as reais necessidades da população. Porque é que quereriam ser formais? Porque é que quereriam ter um sistema de pagamentos que fosse diferente de utilizar moeda?”, observou.

Criticou o entendimento de uma franja do sistema financeiro, principalmente da banca, que “vive da formalidade, dentro do estabelecimento de que o indivíduo tem um salário a cada 30 dias”, com o pensamento estanque segundo o qual as empresas estão estabelecidas e que têm um modelo de negócio estável e de captação de pagamentos e de necessidades de financiamento muito específicas.

Sérgio Gomes  considerou que este entendimento é “muito desajustado” da realidade do informal. Aconselhou, por conseguinte, a combinação do entendimento de quais são as verdadeiras necessidades da população com as formas como lhe fazer chegar serviços diversos. 

“É por essa razão que o Mobile Money é criado dentro de empresas de telecomunicações, porque elas têm duas coisas fundamentais: a distribuição, ou seja, temos a capacidade de estarmos presentes em qualquer lugar e distribuir produtos em qualquer lugar; e as comunicações e o acesso ao cliente na palma da mão do cliente em qualquer momento”, referiu.

O director-geral da Vodafone M-Pesa lembrou que, por regra, o que os clientes anseiam é a segurança dos seus fundos, a garantia que terão acesso a outras soluções: “Ou seja, tenho acesso a financiamento, a seguros, a poupanças. Tudo isto é fundamental para essa população, dentro das medidas daquilo que são as suas necessidades”.

Contou que, durante a passagem pela banca, se envolveu a tentar fazer resultar modelos de negócio de bancários que tivessem penetração rural, que tivessem penetração informal, mas o resultado final foi “sempre insatisfatório”, porquanto o sector está  “sempre a tentar forçar” algo que não consta das necessidades da população. 

Sugeriu o desenvolvimento de infra-estruturas de base funcionais que consigam garantir comunicações, framework regulatório para tipos de subsistemas financeiros  específicos e simplificação dos processos regulamentares associados às transacções. Reprovou que se exija uma série de documentos para integração no sistema de pagamentos de agentes que transaccionam valores relativamente baixos.

“Tudo isto depois tem que estar dentro de uma experiência de cliente que seja o simples suficiente para não gerar nenhum tipo de resistência, porque a resistência vai sempre lá estar de me poder mover de cash para o digital e para os pagamentos móveis”, considerou Sérgio Gomes. 

O director-geral da Vodafone M-Pesa elucidou que os sistemas de pagamentos em Moçambique funcionam primariamente em USSD (comunicação em tempo real) para garantir que toda a população tenha acesso a um feature phone [espécie ‘laranjinha’ em Angola], e consiga transaccionar de forma mais simples e imediata. 

“Foi daí que se deu o salto à inclusão financeira em Moçambique: estamos em interoperabilidade. No final, tenho uma rede de agentes, que é a distribuição, que me consegue alavancar a garantia de que qualquer pessoa, em qualquer lugar, consegue introduzir e retirar dinheiro no sistema quando lhe for mais conveniente e transaccionar à medida das suas necessidades. Isto é possível”, informou.

Inclusão económica

Sérgio Gomes disse que, actualmente, a abordagem tem passado mais por explorar conceito de inclusão económica que propriamente inclusão financeira: Esclareceu que a inclusão financeira normalmente é calculada com base em quantas pessoas têm acesso a um instrumento de pagamento; uma carteira móvel, por exemplo. 

Observou que o facto de alguém ter acesso a uma carteira móvel não significa que faça utilização plena dela ou uma utilização que traga valor acrescentado, recordando que a única utilização que muitos clientes fazem é receber um pagamento e imediatamente levantar o dinheiro.

“Enquanto indicador de inclusão financeira, conta como estando financeiramente incluído, porque é participante do sistema. Mas qual é que é o impacto que estamos a ter? Simplificamos a forma como eles recebem fundos, se calhar à distância, mas não estamos a introduzir real valor que vai ter um impacto económico significativo naquele indivíduo, naquela comunidade”, salientou. 

E acrescentou: “Se tenho acesso a este indivíduo, se ele tem uma conta comigo, (...) que tipo de outros serviços é que consigo desenhar que possam ter um impacto económico e potenciar o desenvolvimento económico daquele indivíduo, da comunidade, da cadeia de valor ou do negócio que é informal, mas que, se desenvolvendo, muito provavelmente se vai formalizar”. 

No debate sobre Sistemas de Pagamentos, promovido em Luanda por ocasião dos 25 anos da EMIS, o gestor da empresa moçambicana reafirmou que “a única forma” de trazer à formalidade agentes económicos informais é começar a garantir-lhes instrumentos como financiamentos, seguros, poupança, soluções de investimento”.