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Moçambique prepara-se para acolher pela primeira vez um leilão internacional de gemas

Hermenegildo Langa
14/8/2026
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Foto:
DR

O leilão está previsto para decorrer em Outubro próximo e representa para o país um novo passo na tentativa de capturar internamente maior do valor económico associado aos recursos minerais.

Moçambique prepara-se para realizar, pela primeira vez, um leilão internacional de gemas, uma iniciativa do Governo que pretende transformar o país num destino de referência para a comercialização destes recursos minerais.

Trata-se de uma iniciativa que representa para o país um novo passo na tentativa de capturar internamente uma parcela maior do valor económico associado aos recursos minerais produzidos no território nacional.

O leilão está previsto para decorrer em Outubro, na cidade de Nacala, província de Nampula (norte de Moçambique), no âmbito da Conferência sobre Adição de Valor com Base em Minerais e Recursos Energéticos Disponíveis — CAVAME-d, programada para 19 a 24 de Outubro.

Segundo o director-geral do Instituto Nacional de Minas (INAMI), Olavo Deniasse, o objectivo desta iniciativa é criar, gradualmente, confiança entre compradores internacionais, titulares de licenças mineiras e organizadores de leilões. Além disso, o evento constitui um primeiro passo para consolidar a realização de leilões no país, sem contudo pretender substituir de imediato os certames que actualmente decorrem no estrangeiro.

“A intenção é construir confiança entre compradores internacionais, titulares de licenças mineiras e organizadores dos leilões, demonstrando que o país dispõe das condições de segurança, logística e operação necessárias para acolher transacções desta natureza”, sublinhou Olavo Deniasse.

O governante destacou ainda que o impacto económico do leilão internacional deverá ultrapassar a comercialização de pedras preciosas, podendo dinamizar diversos setores de actividade. “O evento pode representar uma fonte adicional de receitas para a economia, razão pela qual o Governo pretende criar um ambiente favorável para que, no futuro, um número crescente de leilões internacionais seja realizado em Moçambique”, explicou.

De 2012 a 2025, o Estado moçambicano já arrecadou mais de 18,9 mil milhões de meticais, o equivalente a 296,8 milhões de dólares em receitas fiscais resultantes da venda de rubis em leilões.

Recentemente, a empresa mineira Gemfields, sediada em Londres, anunciou que, entre 22 e 29 de Junho de 2026, arrecadou 23,1 milhões de dólares com o leilão de rubis em bruto de qualidade mista extraídos no distrito de Montepuez, na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. A Gemfields detém 75% da Montepuez Ruby Mining (MRM), a principal empresa de exploração de rubis em Moçambique.

Além dos rubis, Moçambique dispõe também de enormes reservas de ouro embora não se saiba a sua real quantificação. Estes recursos têm atraído interesse de investidores internacionais, sobretudo dos Emirados Árabes Unidos que pretendem instalar uma refinaria no país, recorrendo a tecnologia moderna e padrões internacionais de certificação, o que seria a primeira do género.