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O futuro das crianças começa com uma boa audição

Priscilla Thompson
16/6/2026
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A detecção precoce de irregularidades na audição é crucial para garantir o desenvolvimento de capacidades fundamentais nas crianças. Investir na prevenção é investir no pleno potencial e no futuro.

A audição é o primeiro passo para o desenvolvimento das capacidades comunicativas do ser humano. A percepção auditiva começa ainda antes do nascimento, com o reconhecimento de sons no útero materno. Ao nascer, um bebé já está familiarizado com as vozes e os sons que ouviu durante a gravidez e, à medida que cresce, continua a desenvolver a capacidade de reconhecer e aprender novos sons. É precisamente através da audição que as crianças aprendem a interagir, a comunicar e a falar, imitando aquilo que ouvem no ambiente que as rodeia.

O sentido da audição desempenha um papel muito importante no desenvolvimento infantil, em particular ao nível da comunicação e da integração social. Além disso, está directamente relacionado com o sistema vestibular, responsável pela estabilização do olhar, pela percepção dos movimentos da cabeça e pelo equilíbrio do corpo.

O Dia Internacional da Criança Africana, assinalado a 16 de Junho, convida-nos a reflectir sobre os desafios que continuam a afectar o desenvolvimento e o bem-estar de milhões de crianças em todo o continente. O acesso à saúde, à educação e à protecção são pilares fundamentais desse desenvolvimento, sendo a saúde auditiva uma componente muitas vezes esquecida. A propósito desta data, importa relembrar a necessidade do acompanhamento regular da audição das crianças e a importância da prevenção e diagnóstico precoce para a detecção e intervenção atempada em eventuais problemas auditivos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,5 mil milhões de pessoas em todo o mundo vivem com algum grau de perda auditiva e, na região africana, cerca de 40 milhões sofrem de perda auditiva incapacitante. Infelizmente, estes números reflectem a insuficiência de acesso a cuidados preventivos adequados em países de rendimento baixo e médio.

Muitas vezes, os problemas auditivos podem passar despercebidos ou até mesmo ser ignorados, principalmente quando se manifestam através do comportamento dos mais novos. Crianças com dificuldades de audição são frequentemente consideradas desatentas, mais lentas ou difíceis. Além disso, infecções comuns como otites, sarampo, papeira, meningite e rubéola, bem como a falta de cuidados e de vacinação, são factores de risco que podem evoluir para casos de surdez infantil.

Estas condições na audição das crianças podem afectar o desempenho escolar e o desenvolvimento da fala e da linguagem, contribuindo para dificuldades de aprendizagem e situações de exclusão social durante a infância, com impacto directo nas oportunidades futuras da criança. Contudo, a OMS refere que até 60% dos casos de perda auditiva infantil podem ser prevenidos.

Como acontece em diversas áreas da saúde, quanto mais cedo os sintomas forem detectados, mais rápido e efectivo poderá ser o tratamento. Neste contexto, a comunidade escolar, assim como familiares e cuidadores atentos, pode fazer a diferença na identificação precoce de sinais de alerta e na adopção de atitudes preventivas no dia-a-dia.

Existem certos cuidados que podem contribuir para a preservação da capacidade auditiva de todos, mas que assumem especial importância quando falamos de crianças, cuja audição ainda se encontra em desenvolvimento. Destaco, em particular, o cuidado com o ruído e o volume excessivo dos dispositivos electrónicos, cada vez mais presentes no quotidiano das crianças.

A necessidade constante de aumentar o volume para compreender o que é dito na televisão ou para ouvir música pode ser precisamente um sinal de que algo não está bem. Além disso, se um bebé com seis meses não reage a sons, ou se uma criança de dois anos ainda não consegue verbalizar palavras de forma compreensível, deve ser consultado um especialista. Outros sinais de alerta nas crianças podem consistir em dificuldades em identificar e responder quando são chamadas, ou até mesmo num esforço notório para compreender o que lhes é dito. Estes comportamentos não devem desvalorizados, uma vez que um diagnóstico tardio pode ter consequências irreversíveis.

A detecção precoce de irregularidades na audição é crucial para garantir o desenvolvimento de capacidades fundamentais nas crianças. A realização de rastreios e um acompanhamento clínico periódico não podem, de todo, ser negligenciados. Investir na prevenção é investir no pleno potencial das crianças e no futuro de cada uma delas.