As parteiras acompanham a humanidade desde o seu início. Mais do que profissionais de saúde, são guardiãs da vida, do cuidado e da dignidade da mulher num dos momentos mais transformadores da existência: o nascimento.
O papel da parteira vai muito além do parto. Actua na promoção da saúde materna e neonatal, na vigilância pré natal, no acompanhamento pós parto e no planeamento familiar. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os modelos de cuidados contínuos prestados pelas parteiras aumentam a taxa de partos vaginais espontâneos e reduzem intervenções desnecessárias, como episiotomias e utilização de fórceps.
Em vários países africanos, nomeadamente em Angola, as parteiras constituem muitas vezes a primeira e, por vezes, a única alternativa de cuidados para as grávidas, sobretudo em zonas rurais. O seu conhecimento técnico, aliado à proximidade cultural e à empatia, constrói uma ponte de confiança entre as comunidades e o sistema de saúde.
É um trabalho que exige competência clínica, resiliência emocional e compromisso ético. Apesar da importância das parteiras nos sistemas de saúde, a profissão continua a enfrentar desafios relacionados com o reconhecimento social, a sobrecarga de trabalho e a necessidade de formação contínua. Investir na valorização e capacitação destas profissionais representa um contributo directo para a redução da mortalidade materna e neonatal, uma das metas definidas pelos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas para 2030.
Celebrar as parteiras é reconhecer não apenas uma profissão, mas também um papel essencial na construção de sociedades mais saudáveis. São as mãos que acolhem o primeiro choro e a presença que tranquiliza os primeiros receios de uma mãe. Fortalecer políticas públicas que assegurem condições dignas de trabalho e oportunidades permanentes de qualificação constitui um passo importante para reforçar os cuidados de saúde materna e infantil.
Porque quando uma parteira é valorizada, uma geração inteira nasce com mais segurança.
REFERÊNCIAS:
1. World Health Organization. Midwifery models of care: implementation guidance. Geneva: WHO, 2024.
2. UNFPA Angola. Saúde Materna. Luanda: UNFPA, 2024


%20-%20BAI%20Site%20Agosto%20%20(1).png)







.jpg)
.png)

-2.jpg)

