Três dos 69 órgãos da Administração Central do Estado já executaram, nos primeiros seis meses de 2026, um volume de despesa superior à dotação aprovada para todo o ano no Orçamento Geral do Estado (OGE) 2026. O Ministério da Administração do Território (MAT), a Presidência da República e o Ministério da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria ultrapassaram, até Junho, os respectivos limites orçamentais inicialmente inscritos para todo o exercício.
O Ministério da Administração do Território (MAT) lidera as derrapagens orçamentais dos órgãos do Estado. Com um orçamento de 198,7 mil milhões de kwanzas para 2026, o ministério executou 279,9 mil milhões no primeiro semestre, superando em 81,2 mil milhões de kwanzas o montante previsto para os 12 meses. A execução corresponde a 141% da dotação anual inicial.
Segundo cálculos da E&M, com base nos relatórios trimestrais de execução do OGE 2026, a praticamente um ano das eleições gerais, o departamento ministerial do Governo responsável por gerir a administração local, as autarquias, a organização do território e as autoridades tradicionais, bem como como assegurar as condições técnicas para a realização das eleições gerais, consumiu, em apenas seis meses, um montante 41% superior ao orçamento que lhe foi inicialmente atribuído para todo o ano.
A Presidência da República, que viu o seu orçamento triplicar em 2026 (de 43,1 mil milhões para 155,8 mil milhões de kwanzas) com uma execução equivalente a 118% da dotação anual, é o segundo órgão com maior execução face à dotação anual. Da despesa de 155,8 mil milhões de kwanzas aprovados, foram consumidos 184,08 mil milhões entre Janeiro e Junho. A diferença entre o montante executado no primeiro semestre e o orçamento anual é de 28,3 mil milhões de kwanzas.
Em terceiro lugar está o Ministério da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, que executou mais de 651 mil milhões de kwanzas no primeiro semestre, face a uma dotação anual de 629,1 mil milhões. O montante executado supera em cerca de 22,4 mil milhões de kwanzas o orçamento anual, correspondendo a uma taxa de execução de aproximadamente 104%.
Além do MAT, a Presidência da República e o Ministério da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos Da Pátria, prevêem-se também derrapagens em outros órgãos que já ultrapassaram a barreira dos 80% de execução do orçamento previsto, apesar de ainda faltarem seis meses para o encerramento do exercício económico.
A Casa Militar do Presidente da República executou 213,6 mil milhões de kwanzas dos 226,07 mil milhões aprovados para 2026, equivalente a 94% da dotação anual.
Seguem-se os ministérios da Energia e Águas e das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, ambos com cerca de 90% de execução. O primeiro executou 992,5 mil milhões de kwanzas de uma dotação 1,1 bilião de kwanzas, enquanto o segundo realizou despesas de 803,5 mil milhões face aos 891,8 mil milhões de kwanzas previstos para todo o ano.
O Ministério do Interior registou uma execução de 87%, correspondente a 537,03 mil milhões de kwanzas dos 615,4 mil milhões previstos. A Comissão Nacional Eleitoral (CNE), por sua vez, executou 204,7 mil milhões de kwanzas dos 243,5 mil milhões inscritos no OGE, atingindo uma taxa de execução de 84%.
Em sentido inverso, o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás executou apenas 8% do orçamento previsto para 2026: dos 89,7 mil milhões aprovados, consumiu apenas 7,1 mil milhões. Já no Ministério da Juventude e Desportos, o desempenho foi ainda mais baixo, situando-se nos 7%, a execução mais baixa de todos os órgãos analisados. Dos 154,2 mil milhões de kwanzas previstos, o ministério gastou apenas 10,5 mil milhões. Estes dois ministérios são os únicos, entre os órgãos analisados, com uma execução inferior a 10% nos primeiros seis meses do ano.
No Ministério da Juventude e Desportos, a execução foi ainda mais baixa. Dos 154,2 mil milhões de kwanzas inscritos no OGE, foram utilizados 10,5 mil milhões, correspondentes a apenas 7%. Os dois ministérios são os únicos, entre os órgãos analisados, com uma execução inferior a 10% no final do primeiro semestre.
No geral, a execução global dos órgãos do Governo atingiu 19,36 biliões de kwanzas entre Janeiro e junho, correspondendo a 58% dos 33,24 biliões de kwanzas orçamentados para 2026. Os Encargos Gerais do Estado absorveram a maior parcela da despesa, com uma execução de 11,08 biliões de kwanzas face aos 17,06 biliões previstos (uma taxa de execução de 65%).
Os relatórios de execução consultados não registam, no primeiro semestre, recurso às reservas orçamentais, que dispõem de uma dotação global de 1,06 biliões de kwanzas para 2026.














.jpg)