O Brent, referência para as exportações angolanas, disparou 5% esta sexta-feira para 90 dólares por barril, o valor mais alto desde Abril de 2024, à medida que a escalada do conflito no Médio Oriente paralisa o transporte marítimo no Estreito de Ormuz.
A tensão na principal rota energética do mundo, o Estreito de Ormuz, por onde fluem diariamente cerca de 20 milhões de barris, levou à paralisação quase total das movimentações devido a ameaças à segurança, problemas com seguros e completa incerteza operacional. Esta conjuntura asfixiou as exportações dos grandes produtores do Golfo e forçou mesmo a suspensão da produção em alguns países. Os analistas estimam que entre 7 a 11 milhões de barris por dia possam estar neste momento fora do mercado.
Num desenvolvimento que agrava o cenário, o ministro da Energia do Qatar, Saad al-Kaabi, lançou um alerta em entrevista ao Financial Times. Se o conflito se prolongar, todos os exportadores de energia do Golfo Pérsico serão forçados a suspender a produção "nos próximos dias", invocando a cláusula de força maior nos contractos de fornecimento.
"Esperamos que todos os que ainda não invocaram força maior o façam nos próximos dias, caso esta situação se mantenha. Todos os exportadores da região do Golfo terão de o fazer", afirmou o governante, acrescentando que, mesmo que o conflito termine imediatamente, o Qatar demoraria "semanas ou até meses" a estabilizar as suas exportações, após os ataques iranianos a uma central de produção de gás natural liquefeito (GNL) em Ras Laffan.
O ministro advertiu ainda que a guerra no Irão pode vir a "derrubar as economias mundiais", antecipando que o crude possa chegar aos 150 dólares por barril, um cenário já admitido por alguns analistas.
O choque na oferta ocorre apesar de sinais vindos de Donald Trump sobre uma eventual intervenção dos EUA para baixar os preços, e de uma autorização temporária que permite à Índia adquirir parte do petróleo russo que se encontrava retido. Entretanto, governos como o do Japão ponderam já a libertação de reservas estratégicas de emergência para travar a escalada.

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