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Produção de petróleo desce 10,1 milhões de barris por dia na maior descida da história

Adnardo Barros
14/4/2026
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Foto:
DR

A AIE revela que as perdas de produção acumuladas desde o início do conflito ultrapassaram, no mês passado, os 360 milhões de barris, prevendo-se que este número suba para 440 milhões em Abril.

A produção mundial de petróleo registou, em Março, uma descida de 10,1 milhões de barris por dia devido à guerra no Médio Oriente, a maior descida de sempre, de acordo com o relatório hoje divulgado pela Agência Internacional de Energia (AIE).

No documento mensal sobre o mercado do crude, a AIE revela que as perdas de produção acumuladas desde o início do conflito ultrapassaram, no mês passado, os 360 milhões de barris, prevendo-se que este número suba para 440 milhões em Abril.

Logo nos primeiros dias de Abril, o bloqueio quase total do estreito de Ormuz imposto pelo Irão fez cair para 3,8 milhões de barris diários o volume de crude, gás natural e produtos refinados que por ali transitavam. Em Fevereiro, antes do rebentar das hostilidades, esse valor era superior a 20 milhões de barris por dia.

Ainda que países como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Iraque tenham activado rotas alternativas para exportar parte dos seus hidrocarbonetos fora do estreito de Ormuz, as perdas nas exportações de petróleo ultrapassam os 13 milhões de barris por dia. Este recuo tem vindo a ser compensado, ainda que parcialmente, pelo recurso às reservas, que se encontram em clara diminuição.

Procura mundial revista em baixa e consumo sofre descida

Quanto à procura, a AIE reviu em baixa as  previsões para este ano, estimando agora uma média de 104,259 milhões de barris por dia menos 730 mil barris diários do que o calculado em Março, durante os primeiros dias da guerra. Entre o segundo e o quarto trimestres, a descida do consumo será de 1,5 milhões de barris por dia, a mais «abrupta» desde o início da crise da covid-19, em 2020.

Caso as interrupções se prolonguem, o recuo homólogo da procura poderá atingir os cinco milhões de barris por dia entre o segundo e o quarto trimestres.

Os autores do relatório alertam ainda que, se as perturbações na produção e exportação de petróleo do Médio Oriente se mantiverem em níveis elevados, será necessário continuar a recorrer às reservas a ritmos “insustentáveis”, cerca de seis milhões de barris por dia, o que equivaleria a 2 mil milhões de barris no conjunto do ano.