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Relatório da CARE coloca Angola entre as crises humanitárias mais negligenciadas de 2025

Teresa Fukiady
30/1/2026
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Foto:
DR

No ano passado, segundo a CARE, Angola estava à beira do colapso enfrentando uma combinação de choques: seca, cólera e tensões sociais.

Angola integra a lista das crises humanitárias mais negligenciadas do mundo em 2025, segundo o relatório anual da organização internacional CARE, que analisa a cobertura mediática global dedicada a emergências humanitárias. 

De acordo com o relatório, Angola estava à beira do colapso em 2025 enfrentando uma combinação de choques: a pior seca das últimas décadas, uma epidemia nacional de cólera e o agravamento das tensões sociais associadas ao aumento do custo de vida. 

A seca, com maior impacto no Sul do País, provocou perdas agrícolas significativas, morte de gado e a destruição de meios de subsistência. A propagação da cólera foi associada à escassez de água potável e às más condições de saneamento.

A seca, com maior impacto no Sul do País, provocou perdas agrícolas significativas, morte de gado e a destruição de meios de subsistência

Segundo a CARE, no País, cerca de 2,6 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária, entre as quais perto de 1,3 milhão crianças. A organização aponta que a crise é particularmente severo sobre mulheres e raparigas. 

“Muitas mulheres e meninas caminham quilómetros todos os dias, muitas vezes, sozinhas, para buscar água. Essa jornada não só leva tempo, mas também envolve riscos de violência e problemas de saúde” lê-se no documento a que a E&M teve acesso. 

Segundo a pesquisa, as raparigas faltam à escola para buscar água ou abandonam os estudos para contribuir com a renda familiar, enquanto mulheres grávidas e lactantes são identificadas como especialmente vulneráveis à desnutrição e à falta de cuidados médicos.

Ainda assim, apesar da gravidade da situação, entre 1 de Janeiro e 30 de Setembro do ano passado, a situação no País gerou somente 4.132 artigos online, colocando Angola entre as crises com menor visibilidade internacional.

Publicado em 28 de Janeiro de 2026, o 10.º Relatório Anual de Crise da CARE conclui que a República Centro-Africana foi a crise humanitária mais negligenciada de 2025, com apenas 1.532 artigos online, apesar de mais de 2,4 milhões de pessoas necessitarem de assistência. Um em cada cinco habitantes daquele país encontra-se deslocado, com a crise no país a figurar em todas as edições do relatório desde a sua criação.

A Namíbia ocupa o segundo lugar na lista, com cerca de 1,3 milhão de pessoas em situação de insegurança alimentar, seguida pela Zâmbia, onde 5,5 milhões de pessoas dependem de ajuda humanitária. 

Embora Honduras e Coreia do Norte também integrem o ranking, oito das dez crises mais negligenciadas estão em África.

Desde 2016, a CARE publica anualmente o Relatório de Crise, que identifica as dez crises humanitárias mais negligenciadas do mundo. Para a 10.ª edição, o serviço internacional de monitorização de mídia Meltwater analisou cerca de cinco milhões de artigos online de 345 mil órgãos de comunicação social em árabe, alemão, inglês, francês e espanhol. A análise incidiu sobre 43 crises humanitárias, cada uma afectando pelo menos 1 milhão de pessoas.