No Hotel de Convenções de Talatona, a primeira edição do evento Luxury& Lifestyle marcou os cinco anos da Agência Carlota com uma experiênciaimersiva onde a memória urbana, a inovação escandinava, a identidade angolana ea precisão suíça se cruzaram num mesmo discurso de excelência.
Houve um momento, na noite de abertura do Showroom Carlota, em que o som envolvente da Bang & Olufsen pareceu fundir-se com as texturas escultóricas das telas de Filipe Perna, enquanto sobre uma mesa do serviço Dikixi da Kavy se reflectia a luz de um relógio Hublot. Esbre essa coincidência não foi acidental. Foi, isso sim, a tradução mais perfeita do que se propôs este evento: um espaço de curadoria sem fronteiras entre disciplinas, onde o luxo deixou de ser um rótulo para se tornar experiência viva.
Realizado no Hotel de Convenções de Talatona, o Showroom Carlota celebrou o quinto aniversário da Agência Carlota, agência de comunicação e marketing angolana. Durante dois dias, o evento transformou-se num ponto de encontro entre criadores, marcas globais e um público exigente, ávido por consumir não apenas objectos, mas narrativas.

Filipe Perna e as cartografias emocionais
O artista plástico Filipe Perna, radicado em Luanda desde 2013, foi uma das presenças mais comentadas. As suas obras, expostas em diálogo directo com as peças de design e tecnologia, convidavam o espectador a uma experiência táctil e visual intensa, superfícies que oscilam entre a abstracção e o fragmento arquitectónico, construídas com espumas reutilizadas e relevos que emprestam às telas uma dimensão quase escultórica.
Nascido em Lisboa em 1982, Perna traz na sua linguagem as marcas de uma multiculturalidade vivida na pele. Das raízes na cultura urbana lisboeta dos anos 90, onde o skate, a música e a arte de rua foram as suas primeiras escolas visuais, até às passagens pela Turquia, foi em Angola que encontrou o palco para a maturação da sua estética. Define as suas composições como “cartografias emocionais”, fragmentos de um percurso pessoal que reflectem influências europeias e africanas de forma harmoniosa.
A sua participação no Showroom Carlota não foi apenas uma exposição, mas uma afirmação da arte como pilar central da sofisticação contemporânea em Angola. As obras, colocadas lado a lado com produtos de marcas globais de luxo, geraram conversas sobre o impacto das experiências humanas na construção visual do nosso tempo.

Bang & Olufsen: o som como escultura
Do outro lado do salão, a Bang & Olufsen, a dinamarquesa fundada em 1925 e reconhecida mundialmente pela fusão entre inovação tecnológica e design escandinavo, apresentou uma selecção de peças que são, elas próprias, objectos de arte. Entre os destaques, a Beosound A9 5th Gen – Edição Centenário, criada para celebrar os 100 anos da marca, com a sua presença escultórica e desempenho sonoro envolvente; a Beosound A5 Spaced Aluminium, coluna portátil premium que alia mobilidade, artesanato em alumínio e elevada performance acústica; e a Beosound Premiere Natural, uma soundbar de última geração concebida para proporcionar uma experiência cinematográfica imersiva através de tecnologia de som espacial e acabamentos em alumínio e madeira natural.
A marca dinamarquesa, que tem vindo a consolidar a sua presença no mercado angolano de luxo, aproveitou o Showroom Carlota para reforçar a ideia de que alta tecnologia e design podem coexistir em perfeita harmonia, e que a excelência acústica é, acima de tudo, uma experiência sensorial completa.

Kavy: a porcelana como veículo de identidade
Se a Bang & Olufsen trouxe o futuro escandinavo, a Kavy, Linha de Identidade levou o público de volta às raízes mais profundas de Angola. A marca apresentou peças que reinterpretam símbolos ancestrais e figuras históricas em linguagem contemporânea de design e luxo, utilizando a porcelana como um verdadeiro veículo de expressão cultural.
O Serviço Dikixi foi um dos pontos altos da exposição. Retratando uma figura mítica da tradição bantu associada à vigilância espiritual e à justiça moral, este elemento ancestral, ligado à ideia de consciência e conduta humana, ganhou nova vida sob a forma de pratos, taças e travessas que transportam para o universo da mesa uma dimensão quase ritualística e reflexiva.
Outro grande destaque foi a Coleção Rainha Njinga Mbandi, uma homenagem a uma das figuras mais icónicas da história de Angola e do continente africano. Rainha dos reinos do Ndongo e Matamba, Njinga é lembrada pela sua liderança estratégica, inteligência diplomática e resistência firme ao colonialismo. A colecção traduz essa força histórica em porcelana, celebrando não apenas a sua figura enquanto soberana, mas também enquanto símbolo eterno da força, coragem e determinação da mulher angolana. Cada peça funciona como um tributo visual à sua herança, transformando a sua história em design contemporâneo de forte impacto cultural.

Espiral Relojoaria: o tempo como arte
No cruzamento entre tempo, arte e precisão, a Espiral Relojoaria marcou presença com uma selecção de peças que traduzem diferentes interpretações da alta relojoaria e joalharia contemporânea. A marca, que é hoje uma referência no sector em Angola, representou maisons que definem padrões globais de excelência.
A ousadia técnica e estética da Hublot destacou-se pela sua abordagem inovadora aos materiais e à linguagem contemporânea da relojoaria suíça, casos em cerâmica, borracha e ligas exclusivas que desafiam a tradição. Em contraponto, a elegância clássica e intemporal da Frederique Constant reafirmou a tradição da precisão helvética, com mostradores diáfanos e mecanismos que honram o ofício relojoeiro mais tradicional. E a assinatura artística da Roberto Coin acrescentou uma dimensão joalheira marcada pela sofisticação e expressão emocional, com peças que transformam pedras preciosas em poesia vestível.
Um evento que fica na memória
A Agência Carlota, que completou cinco anos com este evento, provou que é possível, em Angola, criar plataformas de encontro entre a criação autoral e as grandes marcas internacionais, sem que nenhuma perca a sua essência. Pelo contrário: a arte de Filipe Perna ganhou nova dimensão ao lado da precisão suíça; a porcelana da Kavy mostrou que o design de identidade pode ser universal; e o som da Bang & Olufsen ficou para sempre associado àquelas texturas, àquela luz, àquele momento.
Houve momentos de networking, conversas informais diante das telas de Filipe Perna, provas de som na área Bang & Olufsen, e longas apreciações das peças Kavy e dos relógios Hublot, como se todos ali tivessem percebido que o luxo, no seu sentido mais genuíno, não é o que se possui, mas o que se sente.
Para quem viveu o Showroom Carlota, ficou a certeza de que o luxo contemporâneo não se mede pelo preço das peças, mas pela intensidade das experiências que elas são capazes de despertar. E, nesse campo, Luanda deu mais um passo firme para o centro do mapa global da criatividade, da sofisticação e da boa curadoria.


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