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Sistema bancário reconecta-se ao mundo após uma década de “quarentena”

Adnardo Barros
19/12/2025
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Foto:
DR

Do ponto de vista da eficiência operacional e da gestão de risco, a reabertura dos canais internacionais permite às empresas gerir melhor a exposição cambial, proteger margens e planear investimentos.

A assinatura de acordos de correspondência bancária pelo Banco de Fomento de Angola (BFA) com o Deutsche Bank e pelo Standard Bank de Angola com o JP Morgan marca um ponto de viragem para o sector financeiro nacional. Após uma década de isolamento progressivo, esta reconexão é o mais forte indício de que os progressos em compliance e transparência são reconhecidos internacionalmente.

Disponibilidade de divisas é o desafio central

Consultado pela E&M, o presidente da Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola (ECODIMA), Raúl Mateus, reconhece que, mesmo com os recentes acordos internacionais de correspondência bancária, o desafio fundamental continua a ser a origem das divisas. “Estes acordos resolvem aspectos relacionados com a circulação e a segurança do dinheiro no exterior, permitindo transferências mais céleres, seguras e confiáveis”, explicou.

Contudo, alerta que estes entendimentos “não criam moeda forte nova”. A disponibilidade de USD ou euros nos bancos locais continua condicionada à quantidade de divisas que estes conseguem captar internamente, principalmente por via de leilões do Banco Nacional de Angola (BNA) ou de depósitos de clientes exportadores.

“Se o país não gerar mais moeda estrangeira do que consome, as contas dos correspondentes permanecerão cronicamente baixas, mantendo a pressão sobre empresários e atrasos nos pagamentos”, afirmou Mateus. Por isso, defende que a solução para aliviar a pressão imediata passa por uma maior frequência de leilões de divisas, especialmente em períodos de elevada procura, como as quadras festivas.

Do ponto de vista da eficiência operacional e da gestão de risco, a reabertura dos canais internacionais permite às empresas gerir melhor a exposição cambial, proteger margens e planear investimentos de médio e longo prazo com maior segurança. Esta maior previsibilidade contribui para a resiliência do sector empresarial face a choques económicos externos.

Leia este artigo na íntegra na edição 255, referente ao mês de Dezembro, da revista Economia & Mercado, já disponível nas bancas.