O economista Carlos Lopes defendeu a necessidade de África abandonar a informalidade como principal mecanismo de subsistência das populações. Segundo o professor da Mandela School of Public Governance da Universidade de Cape Town e ex-secretário-geral adjunto das Nações Unidas, esta realidade é um dos maiores entraves à modernização económica e à industrialização do continente.
A posição foi apresentada nesta segunda-feira, 15, em Luanda, durante a primeira edição do ‘Pensar Global’, de que foi o orador principal. O académico sublinhou que a formalização da economia deve começar pelo acesso universal ao registo civil.
Segundo Carlos Lopes, cerca de 40% da população africana não possui registo civil, o que significa que milhões de africanos nascem sem certidão de nascimento e morrem sem qualquer registo oficial.
“Se 40% das pessoas não têm sequer o reconhecimento perante o Estado de que elas existem, elas só podem existir informalmente. Não há outra possibilidade. Este é um problema sério”, afirma ao apontar que a ausência de uma identidade legal impede o acesso a serviços financeiros e outras oportunidades.
Além da falta de registo civil, de acordo com Carlos Lopes, outro problema é a romantização da informalidade. “Temos muitos actores sociais que pensam que o informal é uma coisa boa. Há uma espécie de encantamento com a informalidade”, criticou.
Temos muitos actores sociais que pensam que o informal é uma coisa boa. Há uma espécie de encantamento com a informalidade
Para o economista, não basta melhorar as condições de vida através de programas sociais ou de combate à pobreza. “Tudo começa por dar registo civil. Depois vêm as outras coisas”, defendeu.
Durante o evento, que decorreu sob o lema ‘África e Mundo – Repensar a Relação Actual e Redefinir o Futuro’, Carlos Lopes identificou a informalidade dos intercâmbios económicos como a principal barreira à industrialização do continente. “A industrialização não é manufactura, não é fábricas. As fábricas fazem parte. A industrialização é levar os intercâmbios económicos para a era industrial, que é a era onde as transacções económicas são feitas formalmente”, explicou.
O académico alertou ainda para uma contradição que, na sua opinião, caracteriza o actual desenvolvimento económico africano. Segundo Carlos Lopes, embora o continente registe alguns dos melhores desempenhos económicos do mundo, com 12 das 20 economias que mais crescem actualmente serem africanas, esse crescimento nem sempre é acompanhado por melhorias na qualidade da governação.
“Estamos vivendo uma contradição, que é de poder haver crescimento sem qualidade de governação. As megatendências vão continuar a ser favoráveis a África, vamos continuar a crescer”, apontou .
Para Carlos Lopes, a construção de um modelo de desenvolvimento mais inclusivo e organizado depende da resolução deste problema. “Queremos inclusivo e organizado e assenta num elemento fundamental que acho que é esse que nós temos que resolver”, afirma ao fazer referência à informalidade..














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