O Parlamento Europeu decidiu suspender "por tempo indefinido" os trabalhos sobre o acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos. A medida surge na sequência das ameaças do Presidente norte-americano sobre a Gronelândia e de aplicar tarifas aduaneiras a países europeus.
A assembleia europeia já havia suspendido, na terça-feira, o processo de ratificação do acordo no seguimento dessas ameaças. Agora, a UE recusa avançar com a ratificação enquanto persistirem as investidas sobre o território dinamarquês e as retaliações tarifárias anunciadas.
"Perante ameaças contínuas e crescentes, incluindo ameaças tarifárias, contra a Gronelândia, a Dinamarca e os seus aliados europeus, não nos restou alternativa senão suspender o trabalho sobre as duas propostas legislativas decorrentes do acordo de Turnberry até que os EUA decidem retomar um caminho de cooperação em vez de confronto", afirmou esta quarta-feira Bernd Lange, presidente da comissão de Comércio do Parlamento Europeu e relator para as relações comerciais com os Estados Unidos.
O acordo, assinado em Turnberry, na Escócia, no final de Julho de 2025, previa a remoção pela UE da maioria das tarifas sobre produtos industriais norte-americanos. Em contrapartida, Bruxelas concordou com a manutenção de uma tarifa de 15% sobre a grande maioria das exportações europeias para os EUA, incluindo automóveis e semicondutores.
Enquanto as exportações europeias já enfrentam essa taxa de 15%, a aplicação da parte europeia do acordo dependia da ratificação pelo Parlamento Europeu, uma decisão agora adiada sine die.
Entretanto, o Presidente norte-americano ameaçou impor tarifas de 10% a partir de 1 de Fevereiro a países como a Dinamarca, França, Alemanha e Reino Unido, caso se opunham à sua intenção de adquirir a Gronelândia.
Numa conferência de imprensa em Estrasburgo, Bernd Lange denunciou um "ataque aos interesses económicos e à soberania territorial da União Europeia". Acusou ainda o Presidente Trump de quebrar o acordo da Escócia "ao anunciar tarifas de 10% sobre bens europeus e depois de 25% se a Gronelândia não for para os Estados Unidos".
"Neste momento, não vejo grandes movimentos da parte dos EUA, mas há surpresas diárias da Casa Branca", ressaltou o eurodeputado, referindo-se à Truth Social, a nova plataforma de comunicação do Governo norte-americano.
Perante a escalada, foi convocada uma reunião de emergência dos líderes dos 27 estados-membros esta quinta-feira, em Estrasburgo, anunciada pelo Presidente do Conselho Europeu, António Costa, para debater a relação transatlântica.

%20-%20BAI%20Site%20Agosto%20%20(1).png)












